A "uberização" do trabalho na era tecnológica: precarização ou liberdade?
Enviada em 26/07/2021
“Gig: a Uberização do Trabalho” é um documentário brasileiro que aborda as condições animalescas as quais os trabalhadores contemporâneos estão submetidos. Nesse sentido, o trabalho, que para o sociólogo Max Weber tinha caráter de dignidade, nos dias atuais, têm exposto as pessoas a um cenário degradante ao negar reconhecimento de sua força de trabalho e o acesso a direitos básicos.
A princípio, cabe salientar que a pandemia da covid-19 não gerou apenas uma crise sanitária, mas também econômica. Tal impacto submeteu milhões de pessoas a recorrerem aos aplicativos de entrega, ainda que não possuissem o seu valor de trabalho agregado a um salário de carteira assinada. Segundo o alemão Karl Marx, o chamado “exército de reserva” é o contingente de pessoas que podem trabalhar no lugar de alguém que questione as condições desumanizadas do trabalho em questão. Desse modo, a postura da classe detentora do poder coloca como opção para os proletários o uso desses aplicativos negando-os o reconhecimento da vitalidade a qual o seu serviço possui, afinal, sem entregadores, sem aplicativo.
Ademais, vale salientar que a ideia originária do uso de aplicativos surgiu como uma maneira de facilitar a vida das pessoas. Todavia, essa premissa não engloba a todos, visto que não há democracia quando parte da população está sujeita diariamente ao descumprimento da Carta Magna, a qual, em seu artigo 6, garante o trabalho e a previdência social. Dessa maneira, a postura com viés única e exclusivamente voltada ao aumento exponencial do capital, coloca essas empresas como responsáveis pela desumanização do ser humano, pois, uma vez que não há contrato trabalhista, não há responsabilização pela vida do trabalhador.
Portanto, medidas são necessárias para garantir a humanização dos trabalhores por aplicativo. Posto isso, urge que o Ministério do Trabalho qualifique uma lei que reconheça vínculo empregatício entre os proletários e essas empresas, afirmando assim o compromisso com o trabalhador por meio de carteira assinada e benefícios, tais como: décimo terceiro, periculosidade, dentre outros, a fim de que o trabalho, como outrora fora empregue por Weber, volte a dignificar o homem.