A "uberização" do trabalho na era tecnológica: precarização ou liberdade?

Enviada em 26/07/2021

Dando nome aos bois

A era tecnológica não tem mais volta. A sociedade foi inserindo-a nas atividades do dia-a-dia nos seus mais diversos âmbitos e hoje ela é uma das principais ferramentas de trabalho e lazer para uma pessoa. O problema se manifesta a partir do momento em que a confundimos como um meio e a transformamos em um fim em si mesma. Do mesmo modo quando confudimos a precarização da uberização do trabalho com uma suposta liberdade.

Karl Marx compreende a categoria trabalho como alienante no sistema capitalista. O autor defende que, o que antes era processo de construção e conhecimento, passa a ser trabalho repartido, repetitivo e automatizado. A uberização do trabalho na era tecnológica não somente possui essa característica como, também, muitas vezes deixa por conta da pessoa o seu turno de trabalho, as suas férias, o seu próprio material, retirando os direitos do trabalhador em troca de uma sensação de liberdade, o que na verdade representa a retirada de direitos conquistados com a CLT.

A lógica neoliberal tem construído uma parede sólida por trás desta distorção de liberdade, uma vez que, com esse modelo, o que ocorre é apenas uma manutenção da desigualdade social e exploração do trabalho. Não deve-se confundir “liberdade de escolha” com direitos ou “esforço” com herança, capital cultural e capital social.

Além disso, a tecnologia tem contribuído para disseminar essa falácia, não somente por ser o “meio express” para tal, mas também por difundir fotos de trabalhadores, em sua maioria entregadores de aplicativos, com filhos pequenos durante o turno ou até mesmo com um membro do corpo adoecido/machucado.

Se Max Weber defende que o capitalismo é fruto da fusão entre economia e cultura, a sociedade caminha mais perto da desumanização e tirania ao abraçar o espírito da meritocracia presente na cultura.