A "uberização" do trabalho na era tecnológica: precarização ou liberdade?
Enviada em 30/07/2021
A partir da aplicação da tecnológia digital nas relações de trabalho houve o fortalecimento, por intermédio dos aplicativos, da desburocratização das negociações e o aumento da lucratibilidade das grandes empresas. No entanto, ao mesmo tempo, ocorreu a intensificação do mercado informal, na medida em que, o profissional responsável por efetuar a transição do sistema de trabalho sofreu a intensificação da exploração econômica e moral, ou seja, uma precarização das relações de trabalho já que esse tornou-se isento das leis trabalhistas e acentuou a polarização social.
De acordo com o sociólogo, George Simmel, as relações sociais nos centros urbanos são marcados pela impessoalidade, característica fundamental para a consolidação dos algoritmos virtuais na esfera do emprego. Visto que a coalizão desses dois sistemas potencializou o sentimento humano de competitividade e, somado com as condições financeiras em que se encontram, foram forçados a migrarem para o mercado informal, conforme divulgado pelas últimas pesquisas do IBGE em que esse sistema acolheu 76 mil profissionais, submetendo-se às péssimas condições de trabalho, como a ausência de direitos trabalhistas. A partir da 4 ° revolução indústrial, tais trabalhadores são explorados, não apenas pela lógica capitalista, mas também, pelo sistema informacional tornando-se facilmente descartáveis nas relações contratualistas.
Por conseguinte, para Jésse Souza, sociológo brasileiro, a “uberização” do trabalho compõe uma espécie de escravidão moderna que é financiada, no século XXI, principalmente pela classe média, pois é a principal consumidora do novo sistema de trabalho. Diante do fato, observa-se que a distenção da desigualdade social é uma manifestação da população de média renda na tentativa de consolidar sua posição social, bem como uma maneira de se distanciar da opressão a que a “ralé brasileira” está exposta cotidianamente pela iniciativa privada e política.
Deprende-se, portanto, que diante da precarização de empregos no setor informal e de sua crescente dominação no mercado de trabalho, é necessário que seus atuantes se conscientizem das injustiças da qual são vitímas para que assim se mobilizem por meio de manifestações pacíficas nas ruas, além da promoção de atos nos meio de comunicação, a fim de tornar o movimento universal e, consequentemente, se obtenha êxito na conquista dos direitos trabalhistas para o setor “uberizado”. Somente assim, será possível conciliar a era tecnológica com o mercado empregatício.