A "uberização" do trabalho na era tecnológica: precarização ou liberdade?

Enviada em 17/08/2021

A quarta revolução industrial, pautada no desenvolvimento de novas tecnologias, modificou a forma das pessoas se relacionarem coletivamente, já que a inovação favorece essa possibilidade. No entanto, quando o debate é sobre a “uberização” do trabalho na era tecnológica, a palavra chave é precarização, muito se debate sobre as facilidades da internet para pedir comida por exemplo, mas não se debate sobre quem traz essa refeição e se essa pessoa tem condições dignas de trabalho, o que é inaceitável.  Desse modo, o problema tem como causas a falta de conhecimento e lacunas legislativas.

Inicialmente, é preciso pensar na falta de conhecimento como um complexo dificultador do problema.  Sob essa ótica, o filósofo e sociológo Jurgen habermas defende a ideia de que todo problema da sociedade é resultado da irracionalidade e deve ser combatida com uma educação formal e de qualidade.  Em vista disso, é nítida a falta de conheciemento dos cidadãos no que tange às novas formas de trabalho aliadas à tecnologia, fenômeno denominado de “uberização”, que submete pessoas a aceitarem condiçõees desumanas de trabalho e ausência de direitos básicos, sendo  vendida pelos detentores do poder a ideia do progresso da sociedade que não é a realidade de todos, acentuando a pobreza e retrocesso no Brasil, o que é lamentável.

Além disso, as lacunas legislativas se fazem presentes na problemática.  Nessa linha de pensamento, a grande socióloga Hana Arendt defende a ideia de perda da dignidade política - a sociedade está imersa na individualidade e afastando-se de pautas coletivas-.  Desse modo, o Estado, responsável por regular todas as formas de trabalho e garantir dignidade para a população, tira proveito dessa visão individualista da população e se torna ineficiente, gerando lacunas legistivas que dão margem para que o mercado explore a mão de obra dos indivíduos, repassando o discurso de que as novas tecnologias geram formas de trabalho novas, “autônomas” e “flexíveis” na era tecnológica atual, mas ignora completamente todos os problemas de precarização que surgiram com essas transformações.

Dado o exposto, compreende-se a necessidade de ações que resolvam o problema.  Para isso, o Ministério da Economia, órgão responsável pela execução das políticas fiscais, deverá criar o projeto de lei " trabalho com dignidade", que consistirá na assinatura em massa de carteiras de trabalho da população, assim como pagamento de indenizações por danos passados causados ao trabahador, a verba para esse projeto virá de fundos de investimentos estatais com a finalidade de amenizar o problema de precarização presente na problemática em questão.