A "uberização" do trabalho na era tecnológica: precarização ou liberdade?

Enviada em 12/11/2021

De acordo com o escritor alemão Klaus Schwab, a era moderna é fortemente marcada pela complexidade tecnológica, o que caracteriza a contemporaneidade como um produto da denominada “Quarta Revolução Industrial”. Um dos frutos da modernidade é a “uberização” do trabalho, que fez frente ao cenário brasileiro de desemprego estrutural e conquistou boa parte do corpo social. Paralela à liberdade oferecida por essa nova modalidade de emprego, foram construídas condições laborais  fortemente ligadas à precarização, o que condicionou o trabalhador a uma realidade extremamente nociva à manutenção da sua dignidade e qualidade de vida. Assim, fatores como a desvalorização dos trabalhadores e a fragilidade das relações empregatícias contribuem para a existência desse cenário preocupante.

Nesse contexto, os trabalhadores na sociedade brasileira são vistos apenas como a força necessária para a manutenção do sistema capitalista. Sob esse viés, de acordo a ideia proposta pelo músico brasileiro Chico Buarque em sua música “Construção”, o operário só possui valor utilitário para as forças hegemônicas enquanto produz, e uma vez morto, trata-se apenas de um imbróglio à rotina. Nesse sentido, as precárias condições laborais empregadas na “uberização” demonstram que, sob a perspectiva das grandes empresas, o lucro se sobrepõe à vida dos trabalhadores. Dessa forma, é completamente inadmissível que vidas humanas sejam vistas apenas como fonte de capital.

Além disso, na sociedade contemporânea, as relações de trabalho são marcadas pela fragilidade e instabilidade. Nessa perpectiva, segundo o sociológo polônes Zygmunt Bauman, os vínculos no mundo moderno são extremamente descartáveis e pouco coesos. Portanto, por ser fruto da era moderna, a desinformalização em massa do emprego demonstra a fragilidade das relações empregatícias, uma vez que não é assegurado nenhum direito ou garantia ao trabalhador. Desse modo, esse cenário facilita a precarização do trabalho, o que é extremamente inaceitável em um país evoluído como o Brasil.

Logo,  a atuação governamental é essencial para a superação dessa problemática. É necessário, portanto, que o Poder Legislativo, por intermédio de emendas na Consolidação das Leis do Trabalho, adeque a legislação às novas formas de emprego que já são inerentes ao mundo tecnológico, de modo que sejam reconhecidas como profissões formais. Além disso, deve contar com o auxílio dos funcionários inseridos nessa realidade para que contribuam com suas experiências e, assim, possam descrever as situações que precisam de intervenção. Dessa forma, visa-se que os trabalhadores de aplicativo tenham seus direitos reconhecidos e, consequentemente, possam disfrutar de um ambiente laboral saudável e justo.

pessoa que faz esse serviço não tem nenhum direito ou garantia. Ele está totalmente desamparado pela legislação. Levando em consideração o alto nível de desemprego, as pessoas estão se submetendo a isso para ter uma renda mínima e sobreviver

  • Zygmunt Bauman

demonstram a forte negligência das grandes empresas para com os trabalhadores,

surge como uma forma de exploração do trabalhador intrumentada pelas eminentes empresas, que por sua vez negligenciam a qualidade

esconder a forte exploração da mão de obra atrás de um atraente mercado que promove a “liberdade e flexibilidade” como emblema. Trata-se, portanto, de um sistema instrumentado pelas grandes empresas para se eximir de qualquer responsabilidade para com os trabalhadores.

Este modelo permite que o mercado sugue as forças do trabalhador, sem qualquer tipo de estigma ou embaraço: trata-se da banalização da precarização das relações de trabalho

De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em 2020, 41,3% da população brasileira ocupada trabalhava de modo informal. Apesar de conferir liberdade e flexibilidade, o trabalho uberizado também intersecciona em sua estrutura um dos  a precarização das condições laborais.

um do problemas estruturais presentes na realidade brasileira: a precarização laboral.

a precarização laboral

Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) apontam hoje, no Brasil, que 41,3% da população ocupada trabalha de maneira informal. Apesar da liberdade e flexibilidade oferecida pelos serviços …. promove a precarização do trabalho

o problema não é o uso dos aplicativos mas sim a precarização.

em decorrencia da desproporção de capital, pessoas submetem-se ao trabalho informal.

resultado da modernidade líquida.

justificativa: desemprego e mundo líquido - justificativa

relativização do conceito de…

demanda alta por rapidez

permite a coexistência da liberdade e precarização