A "uberização" do trabalho na era tecnológica: precarização ou liberdade?
Enviada em 06/08/2021
Em meados da década de 1990, surge no cenário mundial a “Era da Informação”, caracterizada por avanços tecnológicos que moldaram diversos âmbitos sociais, sobretudo a esfera do trabalho. Nesse contexto de mudanças trabalhistas, sob o pretexto de uma maior liberdade ao trabalhador, configura-se, na conjuntura hodierna, uma precarização da parcela que usa dos aplicativos para vender seus esforços, na chamada “uberização” do trabalho. Sob esse prisma, verifica-se um delicado problema que gera diversos riscos ao trabalhador, tendo como uma de suas causas a insuficiência da legislação.
Nessa perspectiva, é evidente como a ‘uberização’ do trabalho expõe o trabalhador a situações de alto risco a sua integridade. Dentre elas, destacam-se os diversos acidentes presenciados, além das altas e cansativas jornadas de serviço em uma busca de um sustento mínimo. Analogamente, tal circunstância é vista na obra “Tempos Modernos”, estrelada por Charlie Chaplin, que retrata uma crise psíquica causada no protagonista devido ao trabalho exaustivo e de longo período. Logo, urge que o bem-estar físico e mental do trabalhador seja garantido, tal como suas condições básicas de trabalho.
Em paralelo, a carência de intervenções estatais é uma das razões pelas quais a problemática persiste. Tendo isso em vista, é pertinente trazer o discurso de Karl Marx, que afirma que o governo é passivo frente aos problemas sociais. Sendo assim, vale ressaltar que a persistência da precarização dos trabalhadores dos aplicativos ocorre devido à ausência de regulamentações governamentais das suas condições de trabalho, privando-os dos direitos básicos como cidadãos.
Torna-se evidente, portanto, que medidas sejam tomadas para solucionar esse entrave. Desse modo, o governo, um dos principais responsáveis pelas dificuldades enfrentadas por esses trabalhadores, deve investir na qualidade de políticas públicas que garantam condições dignas a essa parcela. Para isso, carece a implementação de leis que assegurem seus direitos básicos na sociedade, impondo uma jornada máxima de trabalho saudável, além da garantia de um salário mínimo para seu sustento. Assim os trabalhadores usufruirão de uma qualidade de serviço justa, e o Estado não será mais passivo diante dos entraves sociais, como afirma Marx.