A "uberização" do trabalho na era tecnológica: precarização ou liberdade?
Enviada em 09/08/2021
A liberdade que aprisiona
Contrapondo-se ao ideal Keynesianista acerca da crucialidade interventiva do Estado no mercado, a economia de compartilhamento - fundada no Vale do Silício,Estado da Califórnia- sugere a flexibilização do trabalho por meio da informalidade de aplicativos , tais como Arbnb e Uber. No entanto, tamanha liberdade apresenta impactos contraditórios à sobrevivência a longo prazo dos empregados,dentre as quais é viável destacar a abnormalidade dos direitos trabalhistas e consequente precarização da qualidade de vida dos servidores.
Inicialmente baseada sob teor social de coletividade, os aplicativos tornam-se gradativamente, segundo o sociólogo Karl Marx,vias empresariais emergidas em princípios capitalistas, em que a mais-valia, lucro máximo, sobrepõe-se a vida humana.Não obstante, em prol do benefício monetário há o processo de desmantelamento da maior conquista sindical brasileira,a CLT-Consolidação das Leis Trabalhistas- implementada no governo de Getúlio Vargas.
Outrossim,a falta de garantia constitucional aos empregados promove o trabalho compulsório , como meio de suprir as deficiências assistenciais do meio trabalhista e conseguir alcançar condições mínimas para sobrevivência imediata. Sem embargo, a obra “A sociedade do Cansaço” de Byung Chun Han expõe a relativização da qualidade de vida pelo trabalho exaustivo,em favor da lucratividade.
Em vista dos prejuízos a longo prazo relacionados à condição de vida dos empregados no meio uberizado é de suma necessidade que o MTE-Ministério do Trabalho e Emprego - interfira na dinâmica liberal dos aplicativos, por meio da regulamentação constitucional das leis trabalhistas e garantia dos direitos sociais dos servidores, em prol do estabelecimento da qualidade de vida desses.Isto posto, projeta-se aumento crescente da estabilidade empregatícia e seguridade trabalhista na era tecnológica.