A "uberização" do trabalho na era tecnológica: precarização ou liberdade?
Enviada em 10/08/2021
O filme “Você não estava aqui” do diretor britânico Ken Loach, conduz de forma realista e dramática, a narrativa do Ricky Turner, um operário inglês que se vê desempregado e obrigado a procurar empregos em meios mais informais e volúveis para sustentar sua família que necessita do dinheiro para sobreviver. Nesse sentido, analisando o cenário nacional, percebe-se que o contexto de Ricky é semelhante à realidade de milhões de brasileiros, que se encontram no contexto informal do trabalho e da flexibilização das leis trabalhistas: a “uberização”. Sob tal ótica, faz-se necessário aumentar a rede de apoio ao trabalhador, assim como valorizar mais o trabalho de tais prestadores de serviço.
Em primeiro plano, sob esse panorama supracitado, é basilar ponderar sobre como a falta de amparo aos trabalhadores é um fator que ancora o desenvolvimento trabalhista do Brasil. Nesse sentido, é válido ressaltar o discurso do historiador Yuval Harari, que em seu novo e profícuo livro “21 lições do século XXI” aduz que o trabalhador do novo século deve ter a característica da dinamicidade, capacidade de inovação e resiliência, visto que o que marca o mundo laboral nesta era é a inconstância. Desta maneira, com o advento da Quarta Revolução Industrial, os ditames antes estabelecidos foram quebrados, abrindo margem para uma relação mais flexível e que dialogasse com as novas tecnologias, contudo padeceu na forma de como trata os trabalhadores, tornado o espaço laboral um ambiente retrógrado e precário quando se trata do contexto sufocante em que o trabalhador se encontra.
Em uma segunda análise, é imprescindível ratificar a subvalorização dos trabalhadores informais no contexto nacional, uma vez que eles são os catalisadores de relações econômicas vantajosas, diminuindo obstáculos e fronteiras entre o produto e o consumidor. Diante disso, cabe aludir ao crivo sociológico, no qual Jessé de Souza, em “Subcidadania Brasileira”, ilustra como uma parcela da sociedade brasileira é usurpada de seus direitos e de seus dignos valores elementares, privadas dos mecanismos assistencialistas do estado nacional, além de serem secundarizados no processo da globalização e da emancipação social. Diante disso, Jessé aponta os trabalhadores informais e inseridos no processo de “uberização” como um desses subcidadãos, que são, muitas vezes, submetidos a redes de contratos que exigem uma larga produtividade, contudo sem as regalias devidas
Urge, portanto, que haja uma maior rede de apoio, bem como uma valorização do trabalhador. Sendo assim, cabe à Secretária Especial do Trabalho, tornar o contexto laboral mais atraente, por meio incentivos fiscais a empresas que oferecerem melhorias nas condições de trabalho, sendo uma delas a disponibilização dos materiais de trabalho (bicicleta ou moto) no caso de empresas de “delivery”, assim como garantias previstas na carteira de trabalho, tais como: plano de saúde e férias remuneradas.