A "uberização" do trabalho na era tecnológica: precarização ou liberdade?

Enviada em 15/08/2021

Fundamentado no Iluminismo, o liberalismo ecônomico, característico dos países capitalistas, tornou-se uma vertente dominante no mundo ocidental. Com efeito, a utopia liberalista aliada à Quarta Revolução Industrial, conhecida como Revolução Tecnológica, deu origem ao trabalho moldado na alta flexibilidade e dinamicidade. Atualmente, a “uberização” do trabalho popularizou-se no Brasil, o que pode ter um efeito devastador para a classe trabalhadora. Nesse aspecto, é preciso analisar as Leis de Trabalho brasileiras, bem como as perspectivas sociais relacionadas.

Diante desse cenário, é válido destacar que a CLT (Consolidação das Leis Trabalhistas) surgiu para regularizar o merdado de trabalho e atenuar à exploração ao trabalhador. Assim, conforme a Constituição Federal, existe um salário mínimo e jornada de trabalho pré-estabelecida, com demais garantias fundamentais. Nesse sentido, os novo molde trabalhista prevê a flexibilidade de horários e remuneração proprorcional ao trabalhado. Entretanto, o sentimento de liberdade é ilusório, pois o setor privado é quem dita o preço da hora trabalhada, o que resulta muitas vezes em uma jornada de trabalho elevada e altamente exaustiva.

Além disso, do ponto de vista sociológico, o sucesso da “uberização” é explicado pelo falso sentimento de elevação da classe social do trabalhador, que acredita ser independente. Entretanto, segundo professor especialista da Universidade de São Paulo (USP), são os grandes empresários que comandam o sistema, esse desejo de ascensão social instantânea, sem as vias legais democráticas, somente torna o trabalhador uma peça da engrenagem do capitalismo. Leia-se, portanto, como inaceitável que o governo permaneça em inercia diante da situação.

Desse modo, é preciso desmitificar a “uberização”. Por isso, o Ministério do Trabalho deve, com urgência, regulamentar a nova modalidade de trabalho, com inserção de salário híbrido (salário base acrescido da proporcionalidade). Espera-se, com isso, que os trabalhadores não sejam submetidos totalmente aos interesses empresariais.