A "uberização" do trabalho na era tecnológica: precarização ou liberdade?
Enviada em 31/08/2021
O filme " Você não estava aqui", retrata o cotidiano de uma familia, na crise de 2008 na Inglaterra, que enxerga no trabalho informal, conhecido com Uberizado, uma forma de sobreviver financeiramente. Este tipo de trabalho foi alanvacado pelo avanço tecnológico e traz problemáticos desdobramentos, como a precarização do trabalho, que impacta, à exemplo do drama cinematográfico citado, a qualidade de vida dos fornecedores de serviço e devem ser combatidos por meio de leis trabalhistas.
Assim como, o Fordismo e o Toyotismo, a Uberização é uma forma de trabalho que tem como principal objetivo a maximização dos lucros. Esta nova relação de trabalho é caracterizada por acordos virtuais entre empresas e colaboradores, nas quais empresas como, Uber e IFood, eximem de qualquer responsabilidade trabalhista e controlam seus tercerizados por meio de algoritimos. De acordo com o sociólogo Ricardo Antunes, assim como o automóvel representava as relações de produção antigas, o celular é o simbolo do trabalho atual, pois sem este não tem como o serviço de motorista, entregador, limpeza, serem oferecidos e avaliados por seus usuários. Este distanciamento entre empresa e contratados temporários é lucrativa apenas unilateralmente, e claramente não é o prestador de serviço o privilegiado, pois a Uberização precarizou o trabalho, não fornecendo seguro desemprego, seguro de saúde, limites de horas de serviço, dentre outros direitos garantidos por lei aos trabalhadores formais.
Sendo assim, um serviço que, teoricamente, traz uma abordagem de empreendedorismo e gestão do seu próprio tempo, termina por ser um modo trabalhista sem direito à determinação do valor da sua mercadoria, com uma carga de trabalho abusiva e que conduz, em muitos casos, às situações perigosas, como no caso abordado no documentário “Dig, a Uberização do trabalho”, em que uma fornecedora de serviço de limpeza dizia que era perigoso lavar quintais, porém mesmo assim, ela o fazia, pois caso não realizasse tal tarefa, seria avaliada de forma negativa no aplicativo, perdendo possivelmente trabalhos futuros. Pode-se observar que os “colaboradores” das empresas estão submetidos à constantes situações de estresse, seja por um risco de acidente em serviço, seja com horas de trabalho intermináveis para cumprir a meta, que os impedem do convivio familiar, como abordado no filme “Você não estava aqui”.
Desta forma é necessário que o Ministério do trabalho, orgão do governo responsável pelas questões trabalhistas, concomitantemente com o legislativo, façam leis que vinculem as empresas aos prestadores de serviços, caracterizando um serviço formal com direitos e deveres para ambas categorias, com o intuito de minimizar os prejuizos somente para a classe fornecedora de serviço.