A "uberização" do trabalho na era tecnológica: precarização ou liberdade?

Enviada em 23/08/2021

“A injustiça num lugar qualquer é uma ameaça a justiça em todo lugar” de Martin Luther King. Em consonância com a frase do ativista está a realidade dos brasileiros que vivem na era da “Internet das coisas” e acabam sendo substituídos em seus trabalhos por maquinários. Nesse viés, apresentam-se dois obstáculos para atenuação desse problema: a falta de percepção por parte de empresas em perceber que nem tudo pode ser resolvido utilizando autômatos e o desemprego que essa visão gera.

Em primeiro lugar, é possível citar a teoria da Modernidade Líquida, do filósofo Zygmunt Bauman, que é cabível ao contexto, já que diversas empresas por prezarem uma maior economia e fluidez em seus atendimentos utilizam robôs como atendentes, que várias vezes não são capazes de responder as dúvidas específicas dos clientes. Um exemplo são algumas empresas telefônicas, como a Vivo, as quais os maquinários que atendem apresentam as dúvidas mais recorrentes, não permitindo acesso as perguntas inusitadadas dos consumidores. Assim, por gerar frustação, prejudicam não somente as vendas da empresa como também as relações com os clientes que já tem.

Por consequência, diversos trabalhadores aptos são demitidos com o argumento de que sendo substituídos por aparelhos mecânicos, colaboram para a economia da companhia em que trabalhavam, porém essas demissões prejudicam ainda mais a sobrevivência de famílias que dependem do emprego para comer. Cada vez mais, é perceptível a remoção de trabalhadores em ambientes como supermercado e limpeza de casas por maquinários e a estimativa é de que cerca de 30 milhões de empregos serão substituídos por robôs até 2026, assim metade de uma população pode passar necessidades, de acordo com pesquisa da UnB. Desse modo, invés de ensinarem aos funcionários como trabalharem com a tecnologia para que não haja estagnação da economia, substituem-os.

Mediante o panorama exposto, o Governo Federal, como órgão de instância máxima de administração executiva, junto com o Ministério do Trabalho, deve atuar a favor dos trabalhadores,  por meio de ações efetivas, como a criação de leis que assegurem os empregos que necessitam de relações humanas, como atendentes de empresas telefônicas e funcionários de lojas, assim garantindo que seus empregos e a confiança nas empresas e varejos sejam mantidos. Além disso, por meio do Ministério do Trabalho, é substancial que os trabalhadores sejam direcionados a cursos especializados em ensiná-los a lidar com a tecnologia e seus maquinários na hora de trabalhar. Assim, visando uma realidade cooerente com a frase do ativista.