A "uberização" do trabalho na era tecnológica: precarização ou liberdade?
Enviada em 17/04/2022
A pandemia do Covid-19 fez ascender novos trabalhadores autônomos, os quais vendem sua mão de obra a outras pessoas por meio da internet, e o nome disso é uberização do trabalho. Embora essa modalidade de emprego traga o pão de cada dia à família do trabalhador, esta não assegura os direitos trabalhistas previstos pela Constituição a eles. E esta situação em que se encontram deve-se, principalmente, ao mundo globalizado e à Indiferença do Estado ao cenário.
Antes de tudo, é certo que o trabalho uberizado aumentou devido ao constante desenvolvimento global, haja vista que o filósofo Bertrand Russel defendeu que o progresso é certo, porém as mudanças são questionáveis, isto é, o mundo está progredindo, mas o sistema trabalhista não o acompanha. Este fato ficou mais evidente no cenário pandêmico, em que muitos funcionários perderam seus empregos formais e, como o sistema não conseguiu se adaptar ao cenário anômalo, eles não puderam regressar aos seus empregos antigos e continuam a trabalhar sem os direitos do cidadão brasileiro. Dessa maneira, é nítido perceber que a forma de trabalhar mudou, mas o sistema não se desenvolveu o suficiente e este não assegura os trabalhadores de seus direitos.
Além disso, não só o mundo globalizado prejudica a uberização, mas também a negligência do Estado para os novos autônomos, visto que as leis do trabalho escritas na Constituição não executadas para estes. Esta situação remonta ao livro Cidadãos de Papel, de Gilberto Dimenstein, o qual afirma que o Brasil possui leis no papel muito bonitas, mas que na realidade não são aplicadas para os funcionários, sendo um exemplo a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), que “promoveria” o bem estar destes em seus serviços. Nesse sentido, o Estado não provê os direitos aos trabalhadores, pelo contrário, anula-os ao não executá-los a quem merece.
Dessa forma, pôde se observar que a uberização promove sim o sustento ao trabalhador, mas não garante seu direito enquanto cidadão brasileiro. Para a solução da questão, é necessário que o Poder Executivo ponha em prática os direitos que são devidos aos proletários, por meio de leis e órgãos fiscalizadores, com o intuito de promover maior igualdade aos povo trabalhador brasileiro.