A "uberização" do trabalho na era tecnológica: precarização ou liberdade?

Enviada em 15/09/2021

A contemporaneidade mostra-se cada vez mais influenciada pela quarta revolução industrial, que com o desenvolvimento da tecnologia, incluiu novas ferramentas nas atividades humanas. Nesse sentido, é perceptível nas tarefas humanas a influência desses novos utensílios, como na forma de trabalhar, que, ligada na era tecnológica cria uma nova forma de agir, conhecida como a “uberização” do trabalho. Dessa forma, fatores como o aumento do desemprego potencializam a uberização, que gera como consequência a precarização do trabalho, tornando-se uma relação não viável para o trabalhador.

Em primeiro plano, vale destacar o aumento do desemprego como um potencializador da uberização, que é a força de trabalho relacionada à tecnologia, como no aplicativo “Uber”.  Nesse contexto, pode- se dizer que o crescimento da taxa de desemprego destaca significativamente a informalidade em contrapartida da profissionalização. Segundo dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), atualmente no Brasil, cerca de 13 milhões de pessoas estão desempregadas, representando 12,4% da população brasileira. Ademais, na situação de estar sem emprego, a pessoa opta por entrar no ramo que lhe dê a renda suficiente para a sobrevivência, aumentando assim gradativamente a informalidade no Brasil. Dessa maneira, o trabalhador escolhe o serviço tercerizado dado pela uberização, em aplicativos como “Uber”, “99 táxi”, “Ifood”, dentre outras.

Em segunda análise, cabe pontuar a precarização do trabalho como uma consequência do chegada da uberização, trazendo consigo diversos problemas ao trabalhador. Paralelamente, destaca-se os fatores contra essa forma de trabalhar, uma vez que aqueles envolvidos nos serviços da uberização não são assegurados pelas leis trabalhistas (CLT’s). Nesse âmbito, as leis trabalhistas tornam-se inválidas, pois o trabalhador é seu próprio gerente, flexibilizando os horários de trabalho, ao passo que têm horas de trabalho acima das garantidas por lei, já que o tanto trabalhado é o necessário para a sobrevivência do indivíduo. Sob esse viés, a exacerbada carga horária de trabalho traz malefícios, como doenças mentais e físicas (ansiedade, depressão e problemas físicos).

Portanto, faz-se necessária a ação de orgãos governamentais, como o Ministério do Trabalho e Previdência - órgão responsável por coordenar medidas relacionadas aos trabalhadores brasileiros- a fim de intervir mais nas políticas das empresas privadas relacionadas a uberização. Nessa conjuntura, a ação de tal órgão estatal influencia diretamente na vida do trabalhador, que com o auxílio necessário, poderá ordenar as horas de trabalho e o sálario, assim solucionando a precarização dessa forma de trabalhar, e manipulando os números de desempregados do país.