A "uberização" do trabalho na era tecnológica: precarização ou liberdade?
Enviada em 15/09/2021
A Revolução Industrial, iniciada na Inglaterra, se portou como um processo de intensas tranformações no modo de viver humano, modificando valores e inovando perspectivas, tanto de forma positiva quanto negativa. Análogo a isso, o contexto hodierno ainda passa por alterações no âmbito econômico popular, com o advento do fenômeno da “uberização”, fator precarizante ao trabalhador. Sob esse viés, cabe destacar o capitalismo radical enraizado na economia e a negligência estatal com o cidadão de classe baixa como agravantes da problemática.
Convém ressaltar, a princípio, os prejuízos gerados pelo espírito capitalista proveniente da grande influência do poderio cultural estadunidense. Nesse contexto, o individualismo é citado por Adam Smith quando discorre acerca do egoísmo ser algo inerente ao caráter humano e uma das bases para o bem comum. De tal modo, a banalização dessa característica esvaeceu as relações entre empregador e empregado de modo a induzir a criação de novas formas de empreender e ganhar dinheiro independemente.
Ademais, é possível analisar o papel do Estado na gestão desse eixo da economia, com o dever de promover cada vez mais isonomia na sociedade. Partindo dessa perspectiva, o sociólogo polonês Zygmunt Bauman fala sobre o conceito de modernidade líquida, que trata da diluição observada nas relações humanas na era contemporânea. Sob esse prisma, nota-se uma busca cada vez mais intensa pelas soluções individuais no meio atual, tendo a independência como um objetivo comum a todos. Assim, torna-se fundamental um olhar de enfrentamento a esse entrave.
Portanto, são necessárias medidas que atenuem a problemática. Para isso, o Ministério da Economia, em conjunto com o Ministério da Cidadania, deve criar um pacote de leis que regulamentem um auxílio básico do Estado aos cidadãos brasileiros, o qual atuaria como uma renda mínima aos trabalhadores informais, a fim de garantir as necessidades diárias do povo e reduzir a precarização dos indivíduos.