A "uberização" do trabalho na era tecnológica: precarização ou liberdade?
Enviada em 09/09/2021
O jogo eletrônico “Carmaggedon” apresenta motoristas de carros modificados onde quem coletar mais itens em menos tempo se torna o ganhador da partida. Semelhante à ficção, observa-se a situação dos trabalhadores de aplicativos, marcados pelo desgaste particular no exercício dessas atividades, devido à negligência estatal e a imposições socioeconômicas. Logo, faz-se necessária a abordagem dos empecilhos em questão.
Convém ressaltar, a princípio, a falta de políticas públicas capazes de amparar motoristas de aplicativo. Nesse contexto, emerge o conceito de “instituição zumbi”, elaborado pelo sociólogo Zygmunt Bauman, que explica a perda da função social de órgãos governamentais, o que se vê no comportamento de secretarias trabalhistas, estas indiferentes às celeumas constituintes das rotinas de ofício dos “ubers”. Assim, nota-se um reflexo dos postulados do estudioso polonês no semblante dessas entidades administrativas.
Outrossim, vale salientar a tendência mercadológica de consumo exacerbado dos serviços de transporte e alimentação digitais. Em tal perspectiva, destaca-se o filósofo Herbert Marcuse enquanto difusor da constatação de que ao invés de libertar o homem, a tecnologia o escraviza gradativamente, a exemplo da complexidade técnica a ser enfrentada para se inscrever em aplicativos para fins de trabalho. Portanto, enxerga-se um retrato das ideias do pensador alemão na lógica de atuação dos mercados empregadores hodiernos.
Diante do exposto, torna-se imprescindível a melhoria das condições de atuação em redes digitais de transporte, seja de pessoas ou alimentos. Para tanto, cabe ao Ministério do Trabalho elaborar reformas na Consolidação de Leis Trabalhistas, por intermédio de projetos e plebiscitos, com o fito de incluir os que laboram por meio de aplicativos, almejando maior segurança jurídica a tais pessoas. Dessa e de outras formas, cenários desgastantes como os de “Carmaggedon” serão evitados.