A "uberização" do trabalho na era tecnológica: precarização ou liberdade?
Enviada em 15/09/2021
No dia primeiro de julho de 2020, um novo movimento surgiu no Brasil, o “chamado breque dos apps” reivindica melhores condições de trabalho para os motoristas e entregadores de aplicativos, que sofrem com a falta de salários dignos e direitos trabalhistas. Isso se deve ao projeto das grandes empresas que contribuem para a crescente uberização do trabalho na era tecnológica e a falta de fiscalização do Governo Federal, que contribui para agravar as péssimas conjunturas de labor. Logo, para que as demandas exigidas pela paralisação dos trabalhadores de aplicativo sejam atendidas, urge que essa problemática seja solucionada.
Diante desse cenário, vale mencionar que a uberização implica na precarização laboral. Nesse sentido, os trabalhadores são expostos a situações exploratórias e passam por inúmeras dificuldades no exercício de seu ofício, como risco de acidentes e jornadas excessivas. Nesse contexto de exploração, o filósofo Karl Marx afirma que a autonomia só é possível quando separada do trabalho alienado, o qual nesse caso representaria os aplicativos de serviços terceirizados, os quais passam a sensação de apoio aos seus funcionários, que pouco percebem sua falta de direitos. Logo, essa problemática fere os conceitos de liberdade do alemão, portanto, é necessário que medidas sejam tomadas. Paralelamente à precarização do trabalho, é fundamental o debate acerca da falta de fiscalização por parte do poder público. Isso se deve ao desinteresse do Governo Federal em garantir melhores condições de trabalho para a população, visto que a exploração gera lucros às grandes empresas que exercem significativa influência sobre as decisões dos governantes. Nesse contexto, o Global Justice Moviment criou o conceito de “corporocracia”, que significa um regime onde o poder do Estado é transferido para as grandes corporações, as quais manipulariam a política para satisfazer suas próprias demandas. Logo, para que o conceito criado pelo movimento global não se concretize, é necessário que essa celeuma seja resolvida.
Portanto, são essenciais medidas para impedir a precarização do trabalho em decorrência da uberização. Para isso, compete às grandes empresas assegurar condições aos seus funcionários, por meio da criação de valores mínimos e de planos básicos de seguro de vida, a fim de garantir a renda e a integridade física. Ademais, cabe ao Governo Federal aumentar a fiscalização sobre os aplicativos de serviços terceirizados, por meio de entrevistas com os empregados, a fim de garantir seus direitos. Feito isso, espera-se que esse processo passe a representar a liberdade e não a fragilização dos direitos trabalhistas.