A "uberização" do trabalho na era tecnológica: precarização ou liberdade?

Enviada em 13/09/2021

A consolidação tecnológica na contemporaneidade trouxe consigo uma série de mudanças no cotidiano, incluindo as relações trabalhistas. Nesse contexto, o fenômeno da uberização do trabalho é responsável pela precarização das relações modernas desse âmbito econômico. Esse fato deve-se não somente pela desvinculação do trabalhador à empresa, retirando os direitos trabalhistas previstos, como também pela alienação do homem ao trabalho, desumanizando-o em nome do lucro. Dessa maneira, é evidente que a fragilização das relações causada pela modernidade exige mudanças.

Em primeira análise, cabe salientar a influência, desde o ano de 1970, do modelo toyotista de produção nas relações de trabalho. Propagando a ideia da flexibilização do serviço, da terceirização da economia, bem como da autogestão do trabalhador, esse padrão de trabalho ganhou força na atualidade. Sob esse viés, a uberização do trabalho é sustentada pela lógica do toyotismo, pois, ao desvincular o trabalhador da empresa - em nome do princípio da autogerência - , retira direitos trabalhistas básicos, deixando o funcionário desamparado e sujeito à instablidade do mercado. Assim, por trás do discurso persuasivo em alternativa ao desemprego, o fenômeno da uberização é responsável pela inconsistência dos elos de trabalho.

Ademais, visto que o trabalhador exerce sua função por conta própria, não há horas de serviço delimitadas, tornando, então, o indivíduo alienado ao trabalho. Conseguinte o pensador sul-coreano Han Byung-Chul, as pessoas estão envolvidas num sistema que chamou de “Sociedade do Cansaço”. Nessa conjuntura, os indivíduos tornam-se tão dependentes dos empregos que não lhes sobra tempo para pensar sobre as próprias emoções ou para exercer direitos básicos como lazer, constituindo, assim, uma maneira de dominação. De maneira análoga ao mundo contemporâneo, a realidade evidenciada pela predominância da uberização do trabalho consiste na desumanização do homem e priorização do lucro. Portanto, fica claro que a modernização das relações contribui para a alienação social.

Por fim, cabe reiterar que a uberização do trabalho é responsável pela precarização das relações sociais, trazendo consequências negativas para a vida do trabalhador e, por isso, exige mudanças. Para tanto, é imprescindível que o Governo Federal extenda as políticas trabalhistas aos trabalhadores inseridos no contexto da uberização por meio da regularização do trabalho informal. Essa medida tem por objetivo garantir os direitos básicos, como férias remuneradas e salário fixo, a fim de promover conforto e estabilidade aos funcionários. Além disso, é fundamental a promoção de políticas públicas que visem o lazer dos trabalhadores sem que prejudique suas horas de serviço.