A "uberização" do trabalho na era tecnológica: precarização ou liberdade?

Enviada em 13/09/2021

Na Segunda Revolução Industrial, o surgimento de máquinas possibilitou o avanço tecnológico e científico, porém, nas indústrias, o ambiente de trabalho era insalubre, tinha pouca segurança e os horários de trabalho eram extensos. Evidentemente, esse contexto não se distancia da realidade brasileira, pois, devido também à “uberização” do trabalho, esses e outros desafios ainda presentificam-se na realidade social brasileira. Sob esse prisma, é indubitável que esses empecilhos são fomentados tanto pela negligência governamental, como também pela desvalorização do trabalhador.

Nesse viés, é importante destacar como o abandono governamental atua diretamente como causa do problema. Consoante a isso, o jornalista Gilberto Dimenstein, em seu livro “O cidadão de papel”, explica que as leis constitucionais residem tão somente na teoria, ou seja, não ocorrem na prática. Nessa perspectiva, o governo não provê os direitos trabalhistas, garantidos pela Constituição, aos trabalhadores por demanda, assim, ocorre uma precarização, visto que não recebem proteção nem das empresas privadas, nem do Estado. Dessa maneira, é crucial reconhecer as falhas nesse sistema e reverter a situação.

Outrossim, é válido salientar que a indiferença para com o trabalhador caracteriza-se como um complexo dificultador. Sendo assim, segundo o filósofo francês Michel Foucault, ou corpos dos homens são vistos como objeto e algo de poder, dessa forma, no mundo capitalista, o homem passou a “ser” uma mercadoria, que apenas existe para gerar lucro. Assim sendo, a preocupação com os contratados é mínima, visto que as grandes empresas apenas querem lucrar sem se preocupar verdadeiramente com os subordinados. Logo, compreende-se a realidade na qual o tema está inserido.

Em face dos argumentos supracitados, para atenuar os impasses gerados pela problemática, é necessário que o Ministério da Educação, em parceria com a mídia, invista em campanhas e programas de ensino sobre o assunto, no meio social e televisivo, por meio de verbas públicas, a fim de conscientizar a população sobre a importância dos direitos dos trabalhadores. Portanto, com essas e outras medidas, será possível minimizar os óbices ligados à “uberização” do trabalho.