A "uberização" do trabalho na era tecnológica: precarização ou liberdade?
Enviada em 15/09/2021
Na saga literária “Trono de Vidro”, escrita por Sarah J. Maas, a personagem Yrene é abandonada pela família quando criança, tendo que encontrar empregos provisórios ainda na infância, nos quais era constantemente violada devido a falta de leis trabalhistas. Todavia, fora dos limites ficcionais, o âmbito hodierno brasileiro não se mostra dessemelhante, uma vez que há a grande ocorrência de trabalhos instáveis e terceirizados devido à influência tecnológica - tal temática é caracterizada, majoritariamente, por não ser abrangida pelas leis trabalhistas, e, consequentemente, tendo alto índice de golpes e roubos. Dito isso, necessita-se a tomada de ações em prol da evolução social.
Em primeiro plano, a instabilidade no mercado de trabalho, principalmente pela incidência de trabalhadores não registrados, é plangente para o eixo social. Esse caso se dá, em grande parte, por influência midiática e propostas de emprego por meios digitais que não exigem formação acadêmica ou experiência em muitos campos de atuação, podendo vir a trabalhar com entretenimento, como, por exemplo, menores de idade recebendo salários superiores à pessoas formadas que atuam em áreas formais. Outrossim, é perceptível a presença da teoria “Fato social”, do sociólogo Èmile Durkheim, que discorre sobre a limitação do comportamento do ser humano, em relação as suas manias e hábitos, de acordo com o meio onde é inserido; dito que muitos indivíduos migraram para trabalhos não regulamentados pela popularização, muitas vezes não se questionando da supressão de regulamentação.
Em consequência, com o crescimento dessas fontes de emprego, houve a persistência de crimes relacionados à segurança do trabalhador e do consumidor, pois não pedem pré-requisitos para esses cadastrados, bem como muitos cidadãos, ao se cadastrarem, não pesquisam sobre a instituição na qual estão se cadastrando. Ademais, tal fato foi relatado pela BBC, nos Estados Unidos, onde o aplicativo “Uber”, conhecido por fornecer caronas, registra mais de 6 mil denúncias de assédio em 2019, comprovando como a falta de regulamentação influi diretamente no bem estar social.
Isto posto, é dever do Trabalho instituir regulamentações para aplicativos como esse, já que são uma fonte de renda visível, de modo que registrem funcionários, mesmo que temporários, a fim de instituir direitos trabalhistas. Também, em conjunto com o Ministério da Tecnologia, investindo em meios tecnológicos e capacitando profissionais competentes para a devida fiscalização e regulamentação. Assim, mitigando tal problemática, o Brasil atual não fará menção aos óbices enfrentados por Yrene na obra de Sarah J. Maas.