A "uberização" do trabalho na era tecnológica: precarização ou liberdade?

Enviada em 15/09/2021

Na mitologia grega, Sísifo foi condenado por Zeus a rolar uma pedra morro acima eternamente. Todos os dias, Sísifo atingia o topo do rochedo, contudo era vencido pela exaustão, assim a rocha retornava à base. Hodiernamente, esse mito assemelha-se à luta cotidiana dos funcionários de plataformas virtuais como Uber, os quais buscam ultrapassar as barreiras como quais os separam dos direitos trabalhistas. Nesse contexto, não há dúvidas que a precarização do trabalho é um desafio no Brasil, o qual ocorre, infelizmente, devido não só ao silenciamento sobre essa questão mas também à negligência governamental.

Dessa forma, a falta de informações é um desafio presente no problema. A filósofa Djamila Ribeiro explica que é preciso tirar uma situação da invisibilidade para que as soluções sejam promovidas. Porém, há um silenciamento instaurado na questão da uberização do trabalho, visto que, a mídia só fala dos benefícios e da praticidade para o cliente mas em nenhum momento informa sobre o lado dos funcionários. Assim, urge tirar essa situação da invisibilidade para atuar sobre ela como defende a pensadora.

Em paralelo, a falta de investimento governamental é outro entrave no que tange à problemática. Para Zygmunt Bauman, os valores da sociedade estão sendo colonizados pela lógica de mercado. Tal constatação é nítida na uberização do emprego, uma vez que, devido à baixa atuação das autoridades, muitos trabalhadores terceirizados por empresas como Rappi e 99Pop são prejudicados por não se enquadrarem nas qualificações para serem assegurados pelos direitos básicos trabalhistas como férias e seguro-desemprego . Assim, inverter a lógica e colocar os valores humanos em primeiro lugar é urgente.

Diante disso, medidas devem ser reduzidas para minimizar essa problemática. Para isso, o Ministério do Trabalho e Previdência Social - responsável por definir políticas sobre geração de emprego e renda, apoio ao trabalhador, fiscalização do trabalho, segurança no trabalho etc - deve investir no ampliamento do alcance das leis trabalhistas meio da destinação de verbas, a fim de reverter a supremacia de interesses mercadológicos que impera. Desse modo, espera-se que a precarização do trabalho seja minimizada na sociedade brasileira.