A "uberização" do trabalho na era tecnológica: precarização ou liberdade?

Enviada em 14/09/2021

Na obra cinematográfica ´´Tempos modernos´´, de produção americana, é retratada a automação do trabalho no cenário capitalista moderno, em que os mecanismos de fabricação dominam o operário e impõe-se a ele. Fora da ficção, essa inferiorização do trabalhador apresentada no longa-metragem faz-se presente na realidade brasileira, na qual há um crescimento de ofícios informais e, consequentemente, a precarização do empregado- processo conhecido como ´´uberização´´. Desse modo, é necessário discutir sobre a alienação do proletariado e a negligência estatal, a fim de atenuar os efeitos dessa problemática.

A princípio, é válido salientar a posição submissa desses indivíduos diante das novas relações de trabalho tecnológicas. Nesse viés, Ricardo Antunes, sociólogo brasileiro, afirma que o mundo informacional vigente preocupa-se apenas com a valorização e ampliação da riqueza de grandes empresas, desumanizando o tratamento de funcionários. Sob essa perspectiva, a tese acima defendida é evidenciada em serviços independentes como motoristas de uber e entregadores de delivery, os quais, perante um quadro de grande desemprego, acabam aceitando baixos salários e falta de legislação. Dessa maneira, as classes marginalizadas são vítimas dessa patologia social.

Ademais, é relevante abordar a inércia da esfera pública na fiscalização de normas constitucionais trabalhistas. Nesse contexto, durante o governo de Getúlio Vargas, no século XX, foi criado o Ministério do Trabalho, órgão responsável por defender os direitos dos trabalhadores. Entretanto, nota-se que a efetividade desse ministério é utópica, haja vista a empregabilidade de profissionais sem carteira assinada, os quais não são assegurados em casos de acidentes, bem como trabalham horas extra sem remuneração. Assim, a interação entre empregador e empregado torna-se cada vez mais líquida.

Urge, portanto, que medidas sejam tomadas para mitigar o óbice supracitado. Nesse diapasão, o Governo Federal, em parceria com o Ministério Público, deve promover a fiscalização trabalhista de grandes empresas, por meio de verbas públicas, as quais serão utilizadas para contratar profissionais capacitados, responsáveis por atender denúncias de exploração de indivíduos, com o fito de assegurar os direitos dos proletariados e garantir melhores condições de emprego em todos os setores do país. Logo, com a adoção de tais medidas, a precarização dos funcionários não será mais vista na realidade, como ilustrado em ´´Tempos modernos´´.