A "uberização" do trabalho na era tecnológica: precarização ou liberdade?

Enviada em 14/09/2021

É notório que com o advento das Revoluções Industriais e com o crescente desenvolvimento tecnológico, novas formas de trabalho foram implantadas no sistema econômico brasileiro, e entre elas encontra-se a uberização. Nesse âmbito, no sistema trabalhista brasileiro, a relação entre o trabalhador e o trabalho tornou-se flexível em muitos casos, de modo a oferecer uma certa liberdade. Entretanto, apesar dessa flexibilidade, a uberização demonstra uma certa precarização do cenário de empregabilidade no Brasil , assim como a falta de uma renda fixa, o que influencia a trajetória de muitos indivíduos.

Em primeira análise, é importante destacar a existência de uma conexão entre a uberização do trabalho e a crise atual no Brasil. Nesse cenário, com a crescente especialização da mão de obra em vários setores do mercado, garantir uma graduação não é sinônimo de uma futura empregabilidade, o que leva muitos profissionais a migrarem para empresas como a Uber ou prestarem serviços de entrega de refeições com o objetivo de garantirem a sobrevivência. Além disso, na pandemia do novo coronavirus, devido às medidas de isolamento social, esse serviço tornou-se imprescindível para que muitas empresas continuassem com seus lucros. Em síntese, é possível estabelecer uma relação entre a uberização do trabalho e a situação precária de muitas famílias brasileiras.

Em segunda análise, é valido relembrar os pontos negativos e prejudiciais a todos aqueles que são dependentes do modo uberizado de trabalho. Nesse cenário, pode-se destacar a falta de um vínculo fixo com a empresa para a qual o serviço é prestado, o que traz a insegurança aos trabalhadores em relação ao seu próprio sustento. Ademais, a falta de uma responsabilidade por parte da empresa sobre o trabalhador em possíveis casos de acidentes de trânsito ou de roubos podem ser consideradas desvantagens nesse método de prestação de serviços. Por isso, é construída e estabelecida uma relação entre a contínua situação precária do trabalhador uberizado e a uberização de seus serviços.

Diante dos problemas expostos, cabe a realização de possíveis soluções que visem a melhoria e qualidade do serviço atual uberizado. Por meio de mudanças nas leis trabalhistas e através da construção de requisitos e regras destinadas às empresas, de modo a obrigar devidas medidas de segurança e garantia do oferecimento de planos de saúde aos seus trabalhadores, assim como a oficialização direta das relações de trabalho. Cabe às empresas também a completa responsabilidade de um salário fixo de acordo com as horas trabalhadas. Desse modo, a uberização do trabalho será mais justa, o que visa promover um emprego com o formato da liberdade.