A "uberização" do trabalho na era tecnológica: precarização ou liberdade?

Enviada em 21/09/2021

Manoel de Barros, grande poeta pós-modernista, desenvolveu, em suas obras, uma “teologia do traste”, cuja característica principal reside em dar valor às situações, frequentemente, esquecidas ou ignoradas. Sob a ótica barrosiana, faz-se preciso, portanto, valorizar a problemática da “uberização” do trabalho na era técnológica no Brasil. Nesse sentido, a fim de dissertar e argumentar sobre essa temática, é importante ressaltar a negligência estatal e a educação brasileira.

Mormente, deve-se salientar a ausência de medidas governamentais para diminuir o índice de desemprego e a procura precoce por trabalho informal no Brasil. Nessa conjuntura, Otto Von Bismarck, estadista mais importante da Alemanha do século XIX, afirmou que o Estado deve garantir o bem-estar social da população. Sob esse viés, na medida em que exitem pessoas vivendo sem direito à emprego, com necessidade de trabalhar mais de 12 horas por dia, por meio de aplicativos, e sem leis trabalhistas que as amparem, oberserva-se, nesse ponto, a falha da função do poder público, o que é evidente no país.

Ademais, é fundamental apontar que um grande parcela da população se mostra alienada com relação à essa classe de trabalhadores. De acordo com o musicólogo Vladimir Jankélévitch, em seu livro entitulado “Paradoxo da moral”, o homem moderno carrega uma cegueira ética, ou seja, as pessoas apresentam uma passividade frente aos impasses enfrentados. Similarmente, percebe-se que a busca por esses serviços impede a população de enxergar o grande caos social gerado, visto que, a maioria desses trabalhadores são jovens que deveriam estar estudando em busca de uma profissão com amparo legal. Essa situação ocorre, porque, a população adquire uma postura individualista e não se movimenta em prol de mudar o estado de invisibilidade desses jovens perante a sociedade. Desse modo, é inadimissível que esse cenário continue a perdurar.

Infere-se, portanto, que medidas governamentais são necessárias para atenuar esse entrave. Sendo assim, cabe ao Ministério do Trabalho, criar um conselho para esse tipo de trabalho com lei trabalhistas que garatam os direitos básicos desses profissionais. Além disso, o Ministério da Educação deve promover uma série de palestras em escolas, ministradas por especialistas no assunto, que tenham alunos do ensino médio como público alvo. Essa ação deve ser compartilhada na rede social do Ministério em formato de “Live”, com a finalidade de trazer mais clareza sobre a importância da especialização profissional e as desvantagens da “uberização"do trabalho, atingindo um público maior. Assim, torna-se possível a contrução de uma sociedade permeada pela incorporação dos elementos elencados na Magna Carta.