A "uberização" do trabalho na era tecnológica: precarização ou liberdade?
Enviada em 15/09/2021
O sociólogo Karl Marx afirmou haver duas classes primordiais na sociedade capitalista: os donos dos meios de produção e o proletariado -os quais se submetiam a trabalhar para o outro grupo. Nesse prisma de conhecimento, esses trabalhadores usam a tecnologia e os trabalhos intermitentes (“uberização”) como alternativa à instabilidade do mercado comercial. Todavia, essa nova forma de atividade lucrativa é um entrave pernicioso, perpetuado pela falta de educação crítica e pela negligência estatal, fazendo- se imprescindível a remediação dessas problemáticas.
Nessa perspectiva, é lícito postular sobre como a carência de um ensino analítico contribui para agravar o problema. Consoante a isso, o filósofo Paulo Freire, em sua obra “Pedagogia da Autonomia”, afirma que a educação é uma forma de intervenção no mundo, por conseguinte, muitos trabalhadores não possuem ferramentas para analisar e buscar reivindicar seus direitos nos empregos intermitentes em aplicativos, ou seja, tornam-se vítimas das decisões egoístas das grandes corporações. Dessa forma, é necessário empenho coletivo para mitigar esse óbice.
Ademais, é notório postular sobre como a descura do Estado colabora para ampliar essa disfunção social. Análogo a isso, a Consolidação das Leis Trabalhistas, instituída no governo de Getúlio Vargas, foi um marco na conquista de direitos do trabalho no Brasil, algo que, hodiernamente, não abrange todos os trabalhadores, pois não há regulamentação para os indivíduos em sistema de “uberização”, tornando-os precarizados. Sendo assim, são precisos esforços do governo para amenizar essa vicissitude.
Em suma, a “uberização” do trabalho é uma forma tecnológica de precarização do proletariado. Portanto, cabe ao Ministério da Economia e ao Ministério da Educação, instituir o ensino de economia básica e administração, por meio de mudanças na Base Nacional Comum Curricular e contratação de profissionais qualificados, a fim de ampliar a consciência crítica da população, visando a conquista de direitos. Logo, o Brasil tornar-se- á mais justo e igualitário.