A "uberização" do trabalho na era tecnológica: precarização ou liberdade?

Enviada em 17/09/2021

A obra cinematográfica “A procura da Felicidade” retrata a vida de Chistoph que passa por sérios problemas financeiros, devido à falta de emprego formal, se submetendo a venda de maletas. Com essa abordagem, o filme revela as situações degradantes enfrentadas pelos trabalhadores informais. Hodiernamente, fora da ficção, muitos brasileiros, por não possuírem oportunidades profissionalizantes, optam pelo trabalho informatizado que não lhes assegura renda fixa. Dessa forma, pela irresponsabilidade governamental, além da falta de informação, essas consequências se agravam.

Com efeito, a negligência do Estado, no que tange ao trabalho informal como alternativa à crise econômica, é um dos fatores que fazem com que essa prática se perpetue. Nessa prerrogativa, a ausência de projetos sociais que visem preparar a população para o mercado de trabalho contribui para precariedade desse setor e falta de seguridade salarial, tendo em vista à inclinação aos trabalhos que não possuem renda fixa. Dessa maneira, a sociedade deixa de usufruir da estabilidade financeira, o que gera situações de endividamento, além de aumento da desigualdade social. No entanto, apesar de a Constituição Federal de 1988 garantir o trabalho como direito de todos, essa lei não vigora, visto que o Governo não proporciona formação trabalhista que capacite a sociedade para as atividades laborativas.

Nota-se, outrossim, que o advento da tecnologia é influente na constância desse dilema. Nesse aspecto, aplicativos que apresentam atividades laborativas autônomas como alternativa profissionalizante colaboram com a relativização do trabalho formal. Por conseguinte, de acordo com a revista “Veja”, o número de trabalhadores informatizados, como uberes, cresceu exponencialmente, o que contribui para o superfaturamento das empresas de aplicativos, em detrimento dos funcionários, que enfrentam intensas jornadas de trabalho e não possuem direitos legais. Desse modo, há a precarização profissional e ressignificação do conceito de trabalho. Logo, o advento da tecnologia como precursora do trabalho informal, concorda com Milton Santos, quando afirma que a tecnologia à medida que gera novas possibilidades, contribui para manutenção do capitalismo.

Portanto, vistos os fatos que contribuem para o aumento do trabalho informatizado é mister uma ação estatal e legal. Diante disso o Ministério da Educação deve criar cursos profissionalizantes que capacite a população para a atuação no mercado de trabalho, por meio do investimento de verbas voltadas para essa área. Para tal, deve ser adicionada ao curriculum dessas pessoas carga horária e área especializada, com o objetivo de possibilitar à contratação desse trabalhador e gerar emprego fixo. Ademais, cabe ao Ministério do trabalho punir à exploração de profissionais de aplicativos, com o objetivo de tornar essa atividade digna. Assim, a realidade de Chistoph figurará apenas no cinema.