A "uberização" do trabalho na era tecnológica: precarização ou liberdade?
Enviada em 26/09/2021
Segundo a revista “O tempo”, a palavra “uberização” é o nome dado à presença de serviços criados com o intuito de encurtar a distância entre a oferta e demanda. No Brasil, esse termo já se faz presente, visto que há cada vez mais empresas investindo nesse ramo. Todavia, toda mudança traz consigo questões positivas e negativas, e com a “uberização” não é diferente. Enquanto há o benefício da liberdade de emprego, infelizmente há a precarização das leis trabalhistas ao trabalhador terceirizado.
De acordo com o filósofo inglês John Locke, as pessoas são como tábulas rasas esperando por influências e experiências para preenchê-las. No processo de “uberização” a falta de vínculo empregatício disponibiliza inúmeras oportunidades de serviço e experiência àqueles que mais necessitam, sem demandar na maioria das vezes uma formação do indivíduo. Um exemplo disso é o caso do medalhista Esquiva Falcão, que após um momento de necessidade começou a trabalhar como entregar de pizza – um dos serviços mais abrangidos nesse processo de “uberização”: os chamados “motoboys” – para promover o sustento de sua família.
Entretanto, se de um lado este proceso traz o conceito de liberdade ao índividuo, de outro a “Uberização” do trabalho traz o oposto, visto que enquanto o trabalhador não possui nenhum direito ou garantia dada a falta de uma legislação específica, tais empresas caracterizam o trabalhador apenas como um “parceiro”, eximindo-se de quaisquer responsabilidades. Assim, explica a historiadora Virginia de Mattos, o trabalhador arca por conta própria com os diversos gastos advindos do exercício da função.
Diante do exposto, evidencia-se que ações devem ser tomadas a fim de minimizar os malefícios da “uberização”. Portanto, o Governo deve constituir uma legislação mais rigorosa às empresas “uberizadas”, com o intuito de atenuar a precarização da relação de trabalho. Além do mais, cabe ao corpo social lutar por seus direitos promovendo manifestações que alertem o desmantelamento por parte das empresas às práticas democráticas. Assim, e somente assim, quando Governo e sociedade caminharem lado a lado, haverá um país mais digno ao trabalhador terceirizado ou temporário.