A "uberização" do trabalho na era tecnológica: precarização ou liberdade?
Enviada em 26/09/2021
A chegada da Uber no Brasil, em 2014, iniciou uma nova forma de trabalho no país, os aplicativos de entrega atualmente são os principais meios usados entre consumidores e empresas, apesar de ser descrito como um avanço tecnológico, com sua chegada houve uma nova forma de precarização do trabalho, a chamada “Uberização”, resultado da retirada de direitos dos trabalhadores, devido a falsa liberdade atribuída a esse trabalho, e a não regulamentação desse serviço.
De início é importante analisar que, sete anos depois da chegada da Uber, impulsionados pelas restrições de isolamento da pandemia, os aplicativos de entrega se proliferaram - se tornou comum sair na rua é se deparar com entregadores da Rappi, iFood, Uber Eats, entre outros - outro fator que colaborou com esse crescimento foi o aumento do número de desempregos no país, que criou uma necessidade urgente de se gerar renda para seu próprio sustento. Hoje esses trabalhadores precisam ser seus próprios patrões, contudo isso não é uma coisa boa, essa falsa liberdade que é atribuída a estes serviços contribuí com a precarização do trabalho, devido a ela tem-se indivíduos trabalhando com uma grande carga horária, sem férias e folgas, como é mostrado no filme “Você não estava aqui” que retrata a vida de um pai de família desempregado que se torna um trabalhador independente.
Ademais é importante lembrar que esta profissão não é regularizada, ou seja, o indivíduo não possuí direito à aposentar-se, a ter plano de saúde e ao decimo terceiro - recentemente o grupo denominado “entregadores antifacistas”, que lutam pelos direitos desses trabalhadores, atearam fogo a estátua do Borba Gato em São Paulo, o alvo escolhido, Borba Gato, foi um dos principais bandeirantes, e embora seja tratado como uma figura célebre, para muitos, ele retrata uma imagem de violência e opressão, já que ao explorarem os territórios no interior do país, capturavam e escravizavam negros e indígenas, analogamente a situação de exploração dos “entregadores de apps” atualmente - a retirada de direitos de modo algum deve ser considerada liberdade, quando essa apenas desumaniza a força de trabalho. A essa nova forma de precarização do trabalho se deu o nome de “Uberização” que precisa ser discutida e reestruturada para melhores condições desses empregados.
Portanto percebe-se que a “uberização” e resultado da falta de leis específicas a esse novo meio de trabalho, sendo assim cabe ao Ministério do Trabalho em conjunto com o Ministério da justiça e a CLT (Consolidação das leis do Trabalho) regulamentar essa profissão com o propósito de atribuir direitos a esses profissionais, ouvindo as carências da profissão, como exemplo o grupo ativista entregadores antifacistas para assim atender as necessidades desse trabalho a fim de melhorar as condições em que esses trabalhadores operam hoje no Brasil.