A "uberização" do trabalho na era tecnológica: precarização ou liberdade?
Enviada em 21/09/2021
A Quarta Revolução Industrial, marcada pela convergência de tecnologias digitais, físicas e biologicas afetou muito o mercado de trabalho, principalemente, aqueles que precisa e utiliza da tecnologia, como é o caso a uberização, que é um novo formato de negócio que conecta o consumidor de forma mais rápida ao serviço oferecido, por meio de um algorítimo que calcula o valor final. Entretanto, ao mesmo tempo que o serviço trás mais conforto e liberdade para o consumidor trás também problemas para os trabalhadores, pois há muitos riscos na profissão e poucas leis que assegura e regulariza os seus direitos.
Vale ressaltar, de início, o risco que a profissão trás como um problema em questão. Nesse viés, segundo Karl Marx, sociólogo alemão, a tecnologia sequestra a autonomia do trabalhador, tornando ele um componente vivo da oficina. Nessa perspectiva, pode-se relacionar a nescessidade capitalista que o trabalhador tem e acaba se submetendo a um trabalho sem segurança e desumanizado, colocando em risco sua saúde e a qualidade do produto ofertado, logo, o que era pra ser um serviço autônomo e libertador acaba sendo precário.
Ademais, cabe destacar a ineficácia de políticas governamentais. Pois, as leis trabalhistas brasileiras não assegura pessoas que trabalham com a uberização por não liga-las a empresa(aplicativo) que fornece o serviço. Nesse sentido, o jornalista Gilberto Dimenstein designa, em sua obra Cidadão de Papel, o brasileiro com os direitos teorizados, porem não efetivados. Essa lógica pode ser aplicada aos trabalhadores uberizados que fornecem seu trabalho a uma empresa, mas não tem nenhum direito regularizado.
Portanto, faz-se necessária a reparação desse impasse. Para isso, o Ministério do Trabalho deve intervir na causa desses trabalhadores brasileiros oferecendo para eles, independente do aplicativo para qual eles trabalham, uma bolsa que assegure seus direitos trabalhistas, pagando o valor mensal em meses de férias, completanto o valor de um salário mínimo quando o aplicativo não der, oferecendo plano de saúde que assegure toda demanda médica e medicamentosa em casos de acidentes. Além disso, o Ministério deve promover o debate dessa problemática para que a população possa ser esclarecida da urgência e todos atuem apoiando a causa para que a realidade possa ser transformada. Dessa forma, a uberização não seria mais um trabalho precário.