A "uberização" do trabalho na era tecnológica: precarização ou liberdade?

Enviada em 03/10/2021

A “Atitude Blasé” - termo proposto pelo sociologo alemão Georg Simmel no livro “The Metropolis and Mental Life” - ocorre quando o indivíduo passa a agir com indiferença em meio à situações que ele deveria dar atenção. Sob essa ótica, observando a sociedade contemporânea brasileira, é inegável a importância de abordar os novos modelos de trabalho na era da tecnologia. Nesse sentido, pode-se afirmar que a negligência governamental com a legislação trabalhista e as inovações tecnológicas, agravam essa situação.

Em primeiro plano, convém ressaltar a ausência de medidas governamentais para combater a desregularização de trabalhos considerados informais, mas que os trabalhadores atuam diretamente para uma empresa. Essas práticas auxiliam as empresas na medida em que custos são cortados, mas que prejudicam enormemente os trabalhadores, uma vez que, não há nenhum benefício ou direito que eles possuem, e muitas vezes a situação de trabalho beira uma espécie de escravidão. Esse cenário, segundo as ideias do geógrafo Milton Santos, no texto “As cidadanias mutiladas”, se caracteriza como uma violação dos direitos do ser humano, uma vez que, segundo ele, “a democracia só é efetiva quando atinge a totalidade do corpo social, ou seja, só é efetiva na medida em que os direitos são universais e desfrutados por todos os cidadãos”. Porém, o Estado não exerce sua função na aplicação de leis trabalhistas de forma efetiva, o que infelizmente é explícito no país.

Ademais, é primordial evidenciar as inovações tecnológicas como propulsor da famosa “uberização” no Brasil. Na medida em que a tecnologia avança no mercado de trabalho, cada vez mais é reduzida a barreira entre fornecedores e consumidores, e o trabalhadores que antes ocupavam esse espaço intermediário acabam ficando sem os seus empregos, optando por trabalharem informalmente como alternativa para o desemprego. Segundo as ideias do ex-Papa João Paulo II, “o desemprego do homem deve ser tratado como tragédia, não como estatística econômica.”, cenário evidente no Brasil, visto que,  não é cedida a devida importância ao fato.

Levando em consideração esses aspectos, é crucial adotar medidas para combater esses obstáculos. Para isso, é imprescindível que o governo crie novas leis de regulamentação para novas modalidades de emprego de prestação de serviços, como forma de garantir que os cidadãos obtenham seus direitos e trabalhem de forma justa. Assim, se consolidará uma sociedade trabalhista igualitária em harmonia com a nova era da tecnologia.