A "uberização" do trabalho na era tecnológica: precarização ou liberdade?
Enviada em 23/10/2021
“Uberização”: nova forma de manipulação trabalista
Ao longo dos anos podemos observar a evolução do trabalho, inicialmente o homem utilizava ferramentas de pedra para caçar. Com a formação de povos, houve a supremacia e surgiu a escravidão. Algum tempo depois, iniciou o feudalismo com um regime bem organizado de funções, após isso, implantou-se o capitalismo, em que a força de trabalho era trocada por um salário. Hoje, vivemos a era tecnológica, na qual as relações de trabalho se informatizaram, ao ponto do trabalhador não ter um vínculo com a empresa, porém é mister a análise da “uberização” tendo em vista que esse sistema causa a falsa sensação de liberdade no empregado, além de não lhes conceder os seus direitos trabalhistas.
Em primeiro lugar, é importante observar que a liberdade corporativa prega a total responsabilidade dos colaboradores sobre suas ações, dessa forma, as tarefas são delegadas e o funcionário passa a ter maior autonomia. Contudo, isso não é totalmente efetivo na “uberização”, uma vez que, as empresas possuem formas subjetivas para monitorar os serviços. Um exemplo disso, é que normalmente a plataforma que define o valor das corridas e ela possui campos para os usuários avaliarem o condutor, assim o trabalhador é fiscalizado de maneira indireta. Ademais, uma parcela dos valores deve ser repassada para a empresa, mesmo que ela não se responsabilize pelos danos e manutenções, configurando uma falsa liberdade.
Em segundo lugar, é essencial uma reflexão acerca da ausência de direitos trabalhistas na uberização. Segundo o Papa João Paulo II: “O desemprego do homem deve ser tratado como tragédia e não como estatística econômica”, essa citação pode ser aplicada à nova fase das grandes empresas, como o Uber, que estão se aproveitando do aumento do desemprego, para “capturar” cada vez mais pessoas para seus negócios. Logo, como a maioria precisa de dinheiro para sustentar sua família, acaba aceitando a proposta da empresa, ainda que esta não ofereça férias, seguro desemprego, salário fixo, jornadas regulares e outros direitos dos trabalhadores.
Portanto, sabendo da importância da melhoria das condições de trabalho dos empregados “uberizados”, é crucial que o Poder Legislativo crie leis para aumentar a qualidade do funcionamento dos aplicativos, dessa forma os direitos desses trabalhadores serão garantidos. Além disso, é necessário a criação de instituições, que realizem reuniões entre os líderes dos trabalhadores e os donos das empresas, com o objetivo de alinhar ideias. Desse modo, a uberização alcançará a liberdade corporativa de maneira efetiva.