A "uberização" do trabalho na era tecnológica: precarização ou liberdade?
Enviada em 21/10/2021
Durante o que ficou conhecida como a Era Vargas(1930-1945), ocorreram diversos avanços na conquista de direitos para a classe trabalhadora, culminando na Consolidação das Leis do Trabalho(CLT). Todavia, no Brasil hodierno, apesar da evolução das tecnologias digitais proporcionarem melhoria na qualidade de vida da população no geral, trouxe, também, vários retrocessos, visto que, gigantes da área atuam apenas como “mediadores” não ocorrendo uma relação empregador-empregado bem definida e, dessa forma, deixam de arcar com diversas obrigação fiscais e trabalhistas, configurando o processo de “uberização” do trabalho. Nesse contexto, destacam-se dois aspectos importantes: a supervalorização do capital e a ineficiência do estado em lidar com as grandes corporações.
Em primeiro plano, cabe ressaltar como o desenvolvimento de uma visão extremamente focada no acúmulo do capital contribui para o agravamento do problema. Nesse sentido, o filósofo alemão Karl Marx, afirma que a essência do capitalismo é consumir. Desse modo, a fim de obter os maiores lucros possíveis, as grandes corporações utilizam-se de mecanismos para burlar leis trabalhistas além de evadir obrigações fiscais; caso da empresa de tranposte por aplicativo “uber”, que age apenas como “intermediadores” não fornecendo apoio adequado ao trabalhador, mas, ainda assim, ficando com a maior parte do lucro.
Outrossim, é imprescindível destacar a ineficácia do Estado em lidar com as grandes empresas. Sob esse viés, o cientista político James Quinn em sua “teoria das janelas quebradas”, aponta que se um problema tardar a ser resolvido este virá a ser banalizado, agravando-se para outros maiores. Nesse sentido, a falha do estado em aplicar suas leis nas grandes corporações, acaba por potencializar a problemática, uma vez que, essas, obtendo tamanho crescimento sem fornecer os devidos repasses à população, acabam adquirindo, além do poder de capital, expressivo poder político, tornando-as capazes de negociarem e fazerem parcerias unilaterais, como foi o caso da “uber”, empresa de tranporte por aplicativo que forneceu ao governo de Boston(Estados Unidos) dados de milhares de usuários para “melhorarem” o sistema de transporte local em um episódio claro de troca de favores.
É evidente, portanto, que tais entraves precisam ser solucionados. Logo, cabe ao Governo federal, por meio do legislativo, a criação de leis que façam que multinacionais e Big techs(gigantes da tecnologia), repassem seus lucros para a comunidade local. Tal repasse pode ser dado na forma de criação de área de lazer e cursos em regiões periféricas, programas pró ambientais e fornecimento de verba para melhoria das rodovias, no caso dos aplicativos de transporte.