A "uberização" do trabalho na era tecnológica: precarização ou liberdade?
Enviada em 11/10/2021
Segundo Hannah Arendt, o pior mal é aquele visto como algo banal. Nesse contexto, a “uberização” do trabalho, no Brasil, nem sempre tratada com a relevância necessária, trata-se de uma precarização banalizada. Logo, há um aumento da falta de regulamentação e o aumento do risco enfrentado pelo trabalhador em sua jornada.
Mormente, a falta de regulamentação contribui para o problema. De acordo com dados do núcleo de Economia da Universidade Federal do Pará (UFPA), a falta de estabilidade e a perda de garantias trabalhistas, no âmbito do trabalho informal, colabora para a marginalização e a subsistência de tais trabalhadores. Nesse sentido, é notório que o desemprego estimula a procura por atividades informais. Logo, há um crescimento das desigualdades sociais, visto que uma parcela da população fica restringida a subempregos, já que as suas necessidades básicas não são supridas pelo Estado.
Outrossim, é extremamente relevante o risco enfrentado por esses trabalhadores. Conforme pesquisas realizadas pela revista Exame, em 2020, na cidade de São Paulo, mais de 30% dos acidentes na região envolviam motoristas de aplicativos. Nessa perspectiva, fica claro que a busca por fazer o maior número de entregas possíveis, em um curto período de tempo, haja vista um maior lucro, contribui para o alto número de acidentes. Assim, o trabalhador busca uma melhor qualidade de vida, por meios perigosos, devido à extrema precarização do mercado.
Destarte, é nítida a banalização e a precariedade da “uberização”. Portanto, é preciso que o Estado, mais precisamente o Poder Legislativo, crie leis que regulamentem o trabalho informal, de modo a exigir o cumprimento da ordem, com a aplicação de multa severas e a remoção de empresas que infrigem direitos básicos dos trabalhadores, a fim de trazer seguridade social e física. Assim, ter-se-á uma amenização do problema.