A "uberização" do trabalho na era tecnológica: precarização ou liberdade?

Enviada em 14/10/2021

Com o advento da Terceira Revolução Industrial, a partir do século XX, aumentou-se a produção de novas tecnologias e ocorreu uma tranformação nas relações de trabalho. Tal processo histórico, apesar de ter possibilitado uma maior autonomia aos trabalhadores, culminou à “uberização” do trabalho, o que acarretou sua precarização, representando um problema que deve ser enfrentado de forma mais organizada pela sociedade. Nesse sentido, convém analisar a negligência governamental e a falta de conhecimento perante o assunto como os principais responsáveis pelo quadro.

Em primeiro lugar, é indubitável que o descaso do governo está entre as causas do impasse. Nesse horizonte, segundo o filósofo Thomas Hobbes, “É dever do governante assegurar o bem-estar de todos os cidadãos”. Esse pressuposto permite afirmar que, se o Estado não garantir, nessa nova conjuntura de trabalho informal e terceirizado, a proteção dos direitos trabalhistas, muitos trabalhadores irão ser vítimas da precarização e da falta de assistência no trabalho. À vista disso, é interessante ressaltar que, visando apenas o lucro e o sistema econômico, o governo privilegia as empresas e não garante o cumprimento das leis trabalhistas e nem fiscaliza as novas formas de contratação. Dessa maneira, os trabalhadores têm seus direitos negados e violados.

Outrossim, conforme Sócrates, “Os erros são consequência da ignorância humana”, logo, o desconhecimento em relação às consequências da perversidade na era da “uberização” do trabalho contribui, diretamente, na problemática. Dessa forma, é válido destacar que a escola, principal instituição de formação social e do pensamento crítico, não recebe incentivo governamental suficiente para abordar o assunto dentro da sala de aula e o resultado desse fato é a formação de jovens alienados aos problemas sociais. Por consequência, não observam e compreendem que o novo paradigma de redes contratuais descentralizadas, em que o trabalhador não tem garantias e nem assistência, é um problema social. Então, não lutam pela melhoria da sociedade e das relações de trabalho e, assim, persiste a precarização e a marginalização da força de trabalho.

Diante dos fatos mencionados, é necessário, portanto, que medidas sejam tomadas para livrar o Brasil dessa questão. Posto isso, é dever do Ministério da Educação, por meio de incentivo e investimento escolar, aumentar a carga horária do aluno dentro da sala de aula. Deve-se, então, elaborar um plano que coloque em evidência a importância da proteção aos direitos do trabalhador, de modo que o primeiro passo seja colocar o problema nos livros didáticos, para o assunto ser devidamente estudado e, assim, aumentar a criticidade dos jovens em relação ao tema. Desse modo, tem-se um país em que os cidadãos lutam pelos seus direitos e as leis trabalhistas são protegidas.