A "uberização" do trabalho na era tecnológica: precarização ou liberdade?
Enviada em 15/11/2021
Na obra “Utopia”, do escritor Thomas More, é retratado uma comunidade perfeita, na qual o corpo social padroniza-se pela ausência de conflitos e adversidades.Todavia, percebe-se que na era tecnológica a precararização da uberização do trabalho distancia-se do ideal defendido por More, visto que essa forma de ofício transmite uma falsa sensação de liberdade. Com efeito, há de se analisar a omissão governamental e o silenciamento midiático como causadores desse revés.
Diante disso, vale destacar a ineficiência do poder público presente na questão. Nesse viés, de acordo com o jornalista Gilberto Dimenstein, em seu livro “Cidadão de Papel”, o Brasil é marcado pela não aplicação prática dos mecanismos legais, como a Consolidação das Leis de Trabalho que garante os direitos trabalhistas aos indivíduos. Essa lógica é comprovada pelo papel passivo que a legislação nacional exerce ao não mobilizar-se para criar e efetivar leis voltadas ao serviço sob demanda. Isso porque, a maioria das empresas que oferecem “delivery” não garantem segurança aos seus contratados, muitas das vezes, o entregador de bicicleta da Ifood, por exemplo, presta seu serviço por uma baixa remuneração e correndo riscos de acidentes sem que esteja amparado por leis que, potencialmente, poderia propiciar sua integridade. Consequentemente, a lacuna legislativa contribui para que a ideia de liberdade ocorra de forma muito limitada.
Ademais, conforme Pierre Bourdieu, o que foi criado para ser instrumento de democracia não deve ser convertido em mecanismo de opressão. Contudo, observa-se que parte da mídia adota um comportamento opressor, pois, ao invés de promover debates que elevem o nível de informação da população acerca da uberização acaba influenciando no silenciamento midiático, já que - em redes socias e programas de tv - não ocorre informações sobre esse tema, haja vista que muitas pessoas ainda pensam que a tecnologia só serve para facilitar suas vidas, mas não são instruidas a perceber que o trabalho mediado por aplicativos é, por vezes, marcado por uma precariedade que não é visivel a toda sociedade. Assim, a mídia ao não trazer a devida reflexão sobre o assunto naturaliza essa problemática e não viabiliza a criticidade da nação verde-amarela.
Portanto, o Governo Federal - maior responsável em exercer mando e poder - deve promover um plano de ação, mediante o Poder Legislativo para que haja a criação de leis que atendam as necessidades daqueles que trabalham sob demanda garantido-lhes os direitos prevsitos na CLT. Inclusive, a mídia deve propor debates informacionais no meio virtual - Instagram e You Tube - , por intermédio de jornalistas e influencer digitas. Logo, isso poderá solucionar a omissão governamental e a falha conduta midiática e, desse modo, fazer jus à realidade citada por Thomas More.