A "uberização" do trabalho na era tecnológica: precarização ou liberdade?

Enviada em 21/10/2021

Na quadro “Operários”, Tarsila do Amaral expõe, através das expressões faciais dos trabalhadores, o cansaço e a infelicidade causadas pela indústria. Não distante da pintura, a situação laboral, na conteporaneidade, com o advento de aplicativos tecnológicos, é, muitas vezes, deplorável. Dessa forma, é perceptível que a “uberização” do trabalho tem como consequência a submissão aos algoritmos e objetificação do trabalhador.

Primeiramente, é necessário estabelecer que os aplicativos beneficiam o usuário em detrimento ao trabalhador. Na Segunda Revolução Industrial, os operários eram submetidos a situações desumanas, não possuindo direitos trabalhistas eficientes. Não muito distante da Europa do século XIX, as pessoas que trabalham pelos aplicativos se mostram submissas aos algoritmos digitais, o que as colocam em circunstâncias deploráveis. Nesse viés, enquanto os algoritmos são vantajosos para os usuários, fazem com que os outros tenham que se esforçar para ganhar uma quantidade insatisfatória de dinheiro.

Em segundo plano, o trabalhador é, muitas vezes, visto apenas como um objeto. Em um dos episódios da série de televisão “Black Mirror”, as pessoas se tornam dependentes de uma classificação feita por um aparelho digital. Fora da ficção, com a “uberização”, os trabalhadores estão submetidos à nota dos usuários quanto ao seu trabalho. Nesse viés, o modo de funcionamento dos aplicativos permite que os trabalhadores não sejam vistos como pessoas, mas como objetos.

Em suma, a uberização do trabalho é precária e faz com que os trabalhadores se tornem dependentes dos algoritmos digitais, além de serem objetificados. Portanto, é necessário que o Ministério do Trabalho- importante órgão público- proponha leis voltadas aos malefícios dos aplicativos no contexto laboral, a partir de reuniões com autoridades das empresas, de modo a melhorar a situação dos cidadãos que trabalham sob  a demanda dos usuários desses aplicativos.