A "uberização" do trabalho na era tecnológica: precarização ou liberdade?
Enviada em 22/10/2021
No livro “Quando meu pai perdeu o emprego”, é possível observar todo o caos gerado na família quando o provedor do sustento desta, não consegue mais trazê-lo e por isso, o provedor faz de tudo para conseguir sustentá-la novamente, assim ele se sujeita a serviços informais, os quais as leis trabalhistas não se aplicam. Fora da ficção a realidade não é muito diferente, visto que houve um aumento do desemprego e consequentemente um aumento da informalidade no Brasil. Neste sentindo, é necessário debater sobre a causa do fenômeno da uberização e a consequência que é a precarização das relações trabalhistas no país.
Primeiramente, quando há um elevada inflação, geralmente ocorrido por causa de alguma mudança política, como a troca de presidente, a economia fica desestabilizada, uma vez que o poder de compra diminui e consecutivamente há uma queda nas vendas. Isso faz com que as empresas tenham um menor lucro e aumentem o número de demissões. Logo, pela necessidade urgente de se obter dinheiro em uma época de crise econômica, as pessoas se submetem a trabalhos informais, os quais geram serviços mais baratos por não terem leis regulamentadoras. Isso sendo conhecido como fenômeno da uberização, o qual torna-se bastante problemático, porque “obriga” o povo a aceitar menos do que seus direitos trabalhistas lhe garantem, como longas horas de trabalho enfrentadas pelos ubers para obter uma meta salarial. Dessa maneira, fica claro que o fenômeno prejudica a população.
Além disso, em segundo plano, o trabalho de “Bico” traz a ilusão de empresário autônomo, posto que o trabalhador decide sobre onde, quando e como trabalhará. Entretanto, no caso de empresas multinacionais que os contratam como terceirizados, isso acaba flexibilizando as leis trabalhistas criadas na época de Getúlio Vargas e explorando a mão de obra da mesmo forma como era antes das leis. Um grande exemplo disso, são os profissionais que se machucam durante o serviço e por não terem carteira assinada e consequentemente não poderem utilizar do direito de trabalhador, não recebem um auxílio da empresa e ficam sem prover a família. Dessa forma, é irrefutável a necessidade de haver uma regulamentação a esse serviço.
Infere-se, portanto, que medidas são requisitadas para combater a precarização das relações trabalhistas no Brasil frente ao fenômeno da uberização. Assim, o próprio Estado, mais precisamente, o Ministério da cidadania, responsável pelo trabalho, deve incentivar o a carteira assinada, com propagandas e regulamentar a informalidade por meio de leis, pressionando o Governo a acatá-las. Desse jeito, haverá a finalidade de proteger os trabalhadores explorados.