A "uberização" do trabalho na era tecnológica: precarização ou liberdade?
Enviada em 18/11/2021
Na obra “Utopia”, do escritor inglês Thomas More, é retratada uma sociedade perfeita, cujo corpo social padroniza-se pela ausência de conflitos e desequilíbrios sociais. Fora da ficção, observa-se um panorama distante, uma vez que a uberização do trabalho é um fator contrastante para a concretização dos ideais de More. Sob tal ótica, como contribuintes desse quadro antagônico, destacam-se tanto a inadimplência governamental quanto o despreparo populacional no que tange às novas plataformas digitais que mediam o trabalho uberizado. Logo, torna-se crucial analisar as causas desse revés na conjuntura brasileira contemporânea.
Nesse contexto, é notório que a indiligência do Estado potencializa a banalização da atividade laboral uberizada no país. Sob esse viés, a Constituição Cidadã, de 1988, decretou como dever público garantir a vida social de qualidade ausente de tratamentos desumanos ou degradantes que, por sua vez, inclui fomentar a atividade laboral salubre. Entretanto, isso não ocorre no Brasil, haja vista que dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística comprovam a inoperância das esferas de poder ao apontar que mais de 50 milhões de brasileiros vivem na margem da pobreza. Conquanto, tal realidade diverge da teoria magna e exige, impreterivelmente, uma intervenção estatal.
Ademais, é imperativo ressaltar o despreparo educacional e, em especial, a incivilidade como importantes causas de tal conjuntura. Nesse sentido, o sociólogo Zygmunt Bauman defende, na obra “Modernidade Líquida”, que o individualismo é uma das principais características e o maior conflito da pós-modernidade, ao passo que parcela da população tende a ser incapaz de tolerar diferenças, esse problema assume contornos específicos no contexto brasileiro, refletindo negativamente e tornando inadmissível o prolongamento desse cenário.
Destarte, urge a necessidade de atuação vigorosa do Estado para mitigar a perpetuação dos impactos nocivos da uberização do trabalho no Brasil. Em virtude disso, é imprescindível que o Poder Executivo, órgão responsável por governar o povo e administrar os interesses públicos, direcione capital que será administrado pelo Ministério da Educação e revertido não somente na elaboração de campanhas publicitárias pela mídia, como também na realização de palestras educativas. Dessa forma, por meio dessas ações espera-se atingir a plena educação social e tecnológica, no âmbito público e privado, em toda a comunidade civil. Por conseguinte, observada a ação conjunta entre população e Poder Público, a “Utopia” de More não estará mais delimitada apenas ao plano artístico e poderá ser alcançada pela coletividade.