A "uberização" do trabalho na era tecnológica: precarização ou liberdade?

Enviada em 28/10/2021

A pandemia do covid-19, iniciada ao final de 2019, trouxe ao mundo diversas consequências, entre elas a demissão em massa de várias pessoas, devido à crise econômica instaurada. Nessa conjuntura, no Brasil hodierno, em decorrência da elevação do desemprego, muitos indivíduos começaram a trabalhar de maneira autônoma, o que coloca em pauta a uberização trabalhista no âmbito nacional. Dessa forma, a autonomia dos trabalhadores, associada ao aprimoramento são fatores que que demonstram a liberdade de tal processo em progressão.

Em primeira instância, é mister afirmar que a flexibilização autônoma é um fomentador do progresso da ‘‘gig economy’’. Nesse contexto, no fordismo, sistema de produção em massa criado pelo alemão Henry Ford, durante a segunda revolução industrial, os operários das fábricas não possuíam conhecimento dos itens que produziam, isto é, não tinham controle sobre o próprio trabalho. Todavia, com a uberização, muitos empreendedores, de maneira oposta ao sistema fordista supracitado, passaram a controlar seus própros horários, produções e ganho monetário, o que resultou na elevação da liberdade e autonomia das pessoas, principalmente em meio às tecnologias, uma vez que estas propiciam uma maior difusão de propagandas e vendas.

Outrossim, é válido ressaltar a evolução que é exigida como catalisador do quadro citado anteriormente. Nessa perspectiva, consoante ao biólogo Darwin, em sua teoria da seleção natural, os indivíduos evoluem, ao longo do tempo, com o objetivo de não serem eliminados pela seletiva. Desse modo, de forma análoga à ideia biológica, as pessoas que trabalham autonomamente necessitam se especializar e se aprimorar progressivamente, visto que a concorrência é grande, principalmente em meio a internet, a fim de se destacarem e não serem excluídos pela seleção tecnológica.

Destarte, torna-se essencial a tomada de medidas para o incentivo da pauta supramencionada. Portanto, cabe ao Governo Federal, aliado ao Ministério do Trabalho, orgão governamental encarregado das questões trabalhistas brasileiras, promover, em locais públicos, palestras e aulas, por intermédio de trabalhadores autônomos e independentes, que abordem a temática da uberização e sua importância como solução para a alta taxa de desemprego, a fim de incentivar a população, inclusive a parcela não empregada, a se empregarem nesses setores. Somente assim, o cenário da ‘‘gig economy’’ será modificado e aprimorado.