A "uberização" do trabalho na era tecnológica: precarização ou liberdade?
Enviada em 10/11/2021
“O Capital”, do sociólogo Karl Marx, foi uma obra escrita com base em um viés comunista e crítico da sociedade da época, no que tange as relações de proletário e proletariado. Assim, considerando que grande parte do que produziam não ficava para eles, mas sim para os donos dos meios de produção, esse mecanismo recebeu o nome de mais valia. Hodiernamente, a “uberização” do trabalho reflete ações antes criticadas por Marx, visto que as relações informais favorecem os donos dos grandes aplicativos, mas aqueles que exercem o serviço, trabalham em condições precárias, com baixos salários e altos riscos, além de serem alvos de preconceito social.
Inicialmente, a tecnologia e as facilidades atribuídas a internet, principalmente ao que tange à evolução das redes móveis, como o 4G e o 5G, fizeram com que os serviços oferecidos por aplicativos crescessem e popularizassem-se. Destarte, agora é possível, por meio dos celulares, pedir um carro, fazer compras na farmácia, mercado e em diversas lojas, além de contratar serviços como diaristas, maridos de aluguel, babás, entre outros. Porém, todos esses cidadãos terceirizados não são seguramente amparados pela lei, visto que os aplicativos funcionam como um intermediador, ou seja, além de os “funcionários” não terem direitos, eles devem pagar uma taxa a estas grandes empresas. Logo, acabam vivendo a mercê de salários precários, pois contando todos os custos que possuem, muitas vezes, o que sobra para o sustento é baixíssimo.
Outrossim, Hannah Arendt, em sua teoria sobre a banalidade do mal, discutia sobre a massificação do pensamento humano e a falta de senso crítico na população, isto é, cada vez mais a sociedade possui uma linha de homogênea de ações. Deste modo, aqueles que não enquadram-se nesse quesito, acabam sendo alvos de discriminação, é o que ocorre com esses trabalhadores informais. Portanto, uma nota baixa no aplicativo ou um comentário ofensivo nas plataformas, podem fazê-los serem banidos e dessarte, terem as relações empregabilisticas prejudicadas. Vale ressaltar, também, que a falta de heterogeneidade nas ações dos cidadãos, fazem com que muitos validem como normal estas ações, prejudicando aqueles que precisam sustentar suas famílias.
Dado o exposto, portanto, percebe-se que são muitos os desafios associados a “uberização” do trabalho. Logo, é imprescindível a mobilização da Organização da Sociedade Civil de Interesse Público (OSCIP), juntamente com o Ministério do Trabalho, criando ações que regulamentem o trabalhador informal, por meio de leis, acordos com as plataformas vigentes e por campanhas publicitarias. Dessa forma, esses cidadãos terão mais direitos perante a ocupação que exercem e poderão sentirem-se mais seguros, além de que a população entenderia a importância desses atores e os respeitariam.