A "uberização" do trabalho na era tecnológica: precarização ou liberdade?

Enviada em 02/11/2021

No documentário “Vidas entregues”, é retratada a realidade árdua e hostil enfrentada pelos entregadores e trabalhadores adaptados a era digital, exemplificando a precarização do trabalho e falta de isonomia sobre esses indivíduos. Nessa perspectiva, ocorreram diversas transformações e encurtamento das distâncias, devido a forte presença das tecnologias digitais, que implantaram um novo modelo de trabalho, contudo não houve adaptações nos direitos e leis trabalhistas no qual assegura o trabalhador, que gera uma falsa sensação de liberdade profissional.

Nesse contexto, é válido ressaltar que a Era Digital ganha força, a partir de 1980, que rapidamente se espalha gerando diversas modificações em todos os âmbitos sociais, em que o mais atingido foi o do trabalho. Dessa maneira, a tendência de uberização do trabalho que migra as ferramentas do serviço para as tecnologias, constituem uma pseudo liberdade, pois essa economia com forte presença de conectividade reduzem as distâncias, intermediários e necessidade de deslocamento para o local de serviço, mas também a separação da vida social e ofício. Outrossim, em um ano mais de 661 mil indivíduos tiveram de migrar para o trabalho digital, segundo dados do site Uol.

Em segundo lugar, vale salientar que a uberização do trabalho prejudicou fortemente os trabahadores de aplicativos de entregas e motoristas, além de fortalecer a taxa de desocupados, com recorde de desemprego no ano de 2020, segundo dados da Agenda de Notícias. Desse modo, a necessidade de manter o emprego, promove a manutenção da precarização do trabalho com escassez de organização, leis trabalhistas e descentralização de redes contratuais. No qual, essa mudança de paradigmas da produção acarreta na raiz do problema, proporciona ascensão do desemprego estrutural e perigo constante dos trabalhadores no ambiente virtual e físico, por motivo de acidente ou falta de assistência.

Portanto, é imprescindível que o Ministério da Justiça e Segurança Pública, em conjunto com o Ministério das Comunicações, promovam políticas de segurança e direitos trabalhistas, por meio da disseminação de ferramentas que ajudem e busquem melhorar o trabalho digital, sem reduzir o número de funcionários, garantindo a manutenção do emprego, privacidade e liberdade, com separação da vida social e profissional, promover adaptações e modificações nas leis trabalhistas que assegurem os trabalhadores digitais, com organização e redes contratuais centralizadas. Assim, promover uma verdadeira liberdade na uberização do trabalho, viabilizar segurança e redução da precarização.