A "uberização" do trabalho na era tecnológica: precarização ou liberdade?

Enviada em 09/11/2021

“O amor por princípio, a ordem por base; o progresso por fim”. Esse lema positivista formulado pelo filósofo Auguste Comte, inspirou a frase política “Ordem e Progresso” exposta na célebre bandeira nacional. No entanto, o cenário desafiador vivenciado no Brasil representa uma antítese à máxima do símbolo pátrio, uma vez que nota-se “uberização” do trabalho na atualidade. Desse modo, não só a negligência governamental, como também o individualismo da sociedade solidificam tal mazela.

A princípio, é interessante pontuar que a negligência do governo é uma das causas do problema no país. De acordo com a Constituição Federal de 1988, é garantido como direito social o trabalho com condições justas e favoráveis. Entretanto, tal garantia não tem se concretizado na prática, já que se observa uma crescente precarização laboral no Brasil. Por esse motivo, constata-se uma diminuição de empregos com carteira assinada, fato que deixa de lado o amparo aos trabalhadores que é previsto constitucionalmente.

Além disso, a problemática encontra terra fértil no individualismo que é agravado pelo sistema econômico vigente. Segundo o sociólogo Zygmunt Bauman, em sua obra “Modernidade Líquida”, a pós-modernidade é fortemente influenciada pelo individualismo, em que não se busca mais o bem estar coletivo e sim o pessoal. Neste quadro, as relações profissionais também são afetas por tais comportamentos, uma vez que o capitalismo incentiva ainda mais essa conduta devido a busca pelos lucros, causando danos as condições de trabalho, consequentemente deixando pessoas desempregas que optam pela uberização.

Portanto, é necessário que o Governo penalize as empresas que infringem as condições de trabalho previstas na Constituição, por meio de leis elaboradas pelo poder legislativo, a fim de melhorar as condições laborais no país. Ademais, é fundamental que a mídia incentive a redução de condutas individualistas, através de rodas de conversas, como uma forma de reduzir a uberização do trabalho.