A "uberização" do trabalho na era tecnológica: precarização ou liberdade?

Enviada em 14/11/2021

Na obra “Admirável mundo novo”, de Aldous Huxley, cada pessoa possui uma função pré-determinada. Em desencontro à obra, fica claro que a realidade atual não proporciona espaço para todos desenvolverem alguma função, caracterizando assim a “uberização” como uma barreira. Tal problemática é causada pela negligência governamental, pela falsa sensação de liberdade e precisa ser combatida.

Em primeira análise, é necessário destacar a negligência do governo diante das questões trabalhistas. Um exemplo disso é a pesquisa realizada pelo IBGE que mostra que a taxa de informalidade durante a pandemia do coronavírus cresceu 40%. Assim, é evidente que por conta das demissões em massa e dos direitos não atendidos, grande parcela da população migrou para os empregos informais. Logo, é necessário que o Governo crie alternativas para que a negligência seja combatida.

Em segunda análise, é preciso pontuar a citação de Jean-Jacques Rousseau, filósofo iluminista, que falava que “o homem nasce livre e por toda a parte vive acorrentado”. Portanto, é fundamental salientar que os indivíduos que migram para os empregos informais acreditam em uma liberdade de horário e decisões, mas estão “acorrentados” pela insegurança, pois a falta de direitos trabalhistas, como carteira assinada, e a organização necessária para sustentar os empregos acaba fazendo com que muitas pessoas desistam desse caminho.

Infere-se, portanto, que a “uberização” é caracterizada como uma barreira, pois é gerada pela negligência governamental e pela falsa sensação de liberdade. Assim, cabe ao Governo Federal, órgão máximo no país, através do Poder Executivo, fiscalizar se as empresas estão pondo em prática as leis trabalhistas para que os trabalhadores possuam seus direitos atendidos. Dessa maneira, a realidade será menos cruel para os brasileiros.