A "uberização" do trabalho na era tecnológica: precarização ou liberdade?

Enviada em 20/11/2021

Na obra “Utopia”, do escritor inglês Thomas More, é retratada uma sociedade perfeita, cujo corpo social padroniza-se pela ausência de conflitos e desequilíbrios sociais. Fora da ficção, observa-se um panorama distante, uma vez que o Tema Delimitado] é um fator contrastante para a concretização dos ideais de More. Sob tal ótica, como contribuintes desse quadro antagônico, destacam-se tanto a inadimplência governamental quanto o despreparo populacional no que tange às novas plataformas digitais que mediam o trabalho uberizado. Logo, torna-se crucial analisar as causas desse revés na conjuntura brasileira contemporânea.

Nesse contexto, é notório que a indiligência do Estado potencializa a banalização da atividade laboral uberizada no país. Sob esse viés, o filósofo contratualista John Locke, aponta o Estado como o maior promotor do bem estar social e, consoante, a Constituição Cidadã de 1988, decreta o Estado como a entidade incumbida de resguardar todos os direitos previstos na Carta Magna para todo e qualquer cidadão em território brasileiro. Entretanto, dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística comprovam a inoperância das esferas de poder ao apontar que mais de 50 milhões de brasileiros vivem na margem da pobreza. Conquanto, tal realidade diverge das prerrogativas constitucionais basilares e exige, impreterivelmente, uma intervenção estatal.

Ademais, é imperativo ressaltar o despreparo educacional e, em especial, a incivilidade como importantes causas de tal conjuntura. Nesse sentido, o individualismo da contemporaneidade apontado na obra “Modernidade Líquida” pelo sociólogo Zygmunt Bauman, aliado à visão deturpada do governador que busca manter o poder em detrimento da promoção do bem comum, assumem contornos específicos no contexto brasileiro e reverbera negativamente nas diversas camadas do país.

Destarte, urge a necessidade de atuação vigorosa do Estado para mitigar a perpetuação dos impactos nocivos da uberização do trabalho no Brasil. Em virtude disso, cabe ao Ministério da Educação, juntamente com a profissionais especialistas no assunto, informar a população, por meio de campanhas públicas e palestras, as principais causas e consequências da manutenção desse quadro temerário que assola a contemporaneidade brasileira. À vista disso, espera-se atingir a plena educação social e promover o conhecimento acerca dos direitos previsto na Constituição, como por exemplo, o direito ao trabalho digno. Por conseguinte, observada a ação conjunta entre população e Poder Público, a “Utopia” de More não estará mais delimitada apenas ao plano artístico e poderá ser alcançada pela coletividade