A "uberização" do trabalho na era tecnológica: precarização ou liberdade?
Enviada em 13/03/2022
A Revolução 4.0- conceito alemão criado no século XXI- consiste no conjunto de tecnologias inovadoras que transformaram o cotidiano, os relacionamentos e, sobretudo, o trabalho. Entretanto, as precárias condições sociais, principalmente no que tange às relações trabalhistas, não acompanharam os avanços tecnológicos, crescendo asssim, a uberização do trabalho na atualidade, em razão na negligência governamental e da lógica capitalista. Com efeito, é crucial analisar as causas desse revés.
Diante desse cenário, é oportuno pontuar que a inoperância estatal possui íntima relação com o problema. Acerca disso, Thomas Hobbes, filósofo inglês, defendia que é dever do Estado proporcionar meios que auxiliem o progresso de toda coletividade. Tal concepção, todavia, não se aplica à conjuntura hodierna, uma vez que as autoridades governamentais não agem parra criar ações que resolveriam a uberização no trabalho, como regulamentar as plataformas de entrega para se terem os direitos trabalhistas da CLT, como salário fixo e férias. Logo, não é justo que a máquina pública protagonize, com sua omissão do dever, a manifestação dessa mazela no Brasil.
Denuncia-se, outrossim, o agravamento do impasse por parte da lógica capitalista. Nesse sentido, segundo o sociólogo alemão Karl Marx, a constante precariedade no trabalho é inerente ao capitalismo, em virtude da prioridade de acumulação lucrativa em detrimento do bem-estar coletivo. Nesse contexto, observa-se que os empresários optam, cada vez mais, por serviços informais e sem contrato firmado com os funcionários, a fim de aumentar seus ganhos e reduzir os custos. Dessa maneira, é substancial a mudança desse quadro.
Infere-se, portanto, a necessidade de atenuar, os desafios da uberização do trabalho na era tecnológica. Para tanto, cabe ao Ministério da Cidadania, por meio do Poder Legislativo, criar projetos de leis que regulamentem os serviços prestados pelas plataformas digitais, com salários fixos e carteira assinada, com o intuito de reduzir as condições insatisfatórias nas relações trabalhistas, a informalidade e a necessidade de acumulação lucrativa a todo tempo. Dessa forma, os avanços tecnológicos serão acompanhados por todos os setores da sociedade.