A "uberização" do trabalho na era tecnológica: precarização ou liberdade?

Enviada em 26/06/2022

A obra “Utopia”, escrita pelo inglês Thomas More, retrata uma sociedade ideal, em que o corpo social se padroniza pela ausência de problemas. No entanto, o que se observa na realidade contemporânea brasileira opõe-se às ideias do autor, uma vez que há questões como a precarização do trabalho. Esse cenário advém do processo de uberização do labor e permite tanto a falta de garantias aos indivíduos quanto uma falsa sensação de autonomia. Diante de tal problemática, torna-se essencial a busca por caminhos a fim de combater essa nova tendência mundial.

A priori, a ausência de garantias monetárias prejudica os adeptos à uberização. O Brasil passou pelo processo de conquistas trabalhistas, como a invenção do salário mínimo, pelo ex-presidente, Getúlio Vargas, visando a obtenção acertada de uma quantia mínima para a sobrevivência dos empregados. Contudo, a gama de direitos trabalhistas cobre, majoritariamente, apenas as relações laboriais intermediadas pela carteira de trabalho assinada, documento inexistente nos empregos uberizados. Com essa ausência de garantias, o cidadão tende ao prejuízo, já que, na existência de contratempos corriqueiros, como um problema de saúde, a renda de tal indivíduo permanece totalmente cessada.

Outrossim, a ideia equivocada de liberdade, ou autonomia, precariza ainda mais a uberização. Segundo as premissas do sociólogo Karl Marx, o proletário sofre da alienação do trabalho, isto é, ser explorado sem a própria percepção. Nesse sentido, o que ocorre com o empregado das relações uberificadas se assemelha às noções marxistas, já que há a ausência de noção da exploração sofrida, evidenciada por elevadas cargas horárias e baixos salários. Dessa forma, caso não haja mudanças nas novas relações laboriais, surgirão riscos de haver um retrocesso no que se refere às atividades trabalhistas.

Visto isso, nota-se que medidas devem ser tomadas. Dessa maneira, cabe ao Estado, órgão de poder máximo e remediador de questões sociais, qualificar o novo modelo de trabalho, por meio de leis, as quais garantem direitos trabalhistas, a fim de reduzir as extremas jornadas de trabalho e assegurar salários justos. Assim, a precarização evidente será combatida e as ideias do inglês More estarão mais próximas de serem concretizadas.