A "uberização" do trabalho na era tecnológica: precarização ou liberdade?
Enviada em 04/07/2022
Após a revolução de 1930, o ex-presidente Getúlio Vargas assina a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), que garante direitos aos trabalhadores. Na sociedade atual, entretanto, com a consolidação do Neoliberalismo, a relação de trabalho se modificou, fenômeno conhecido como Uberização. Este processo de transforma-ção de trabalho aumenta a autonomia do empregado, porém, por ser um trabalho informal, permanece em condição vulnerável, possibilitando a precarização de seu trabalho. Essa precarização é causada pela falta de direitos básicos aos trabalhado-res e da responsabilidade do empregado de ser um “homem-empresa”.
No filme “Você Não Estava Aqui” é mostrado a vida de Ricky, um homem, que após a crise de 2008, buscou alternativas no trabalho informal, mas percebeu que este não trouxe as recompensas prometidas, deixando-o sem direitos trabalhistas. Pa-ralelamente a obra, trabalhadores como motoristas da “Uber” e do “Ifood”, estão sujeitos ao fenômeno da Uberização, não possuindo direitos trabalhistas, como salário mínimo: o salário depende das viagens feitas pelo motorista. Sendo assim, a falsa flexibilização do trabalho causa uma maior exploração do motorista, deixan-do-o sem direitos e sem acesso a condições básicas de trabalho.
Além do salário depender do próprio motorista, grande parte do lucro fica com a empresa, mesmo esta não sendo o dono do meio de produção (carro ou moto). Segundo uma pesquisa do site “Justificando”, o novo trabalhador pode ser caracte-rizado como “homem-empresa”: o próprio trabalhador está sujeito a avaliações e concorrência, além de pagar seu próprio combustível e a manutenção de seu auto-móvel. Mesmo acarretando com o meio de produção, a maior parte do lucro é direcionado as empresas, portanto, o conceito de “homem-empresa” não traz liberdade ao trabalhador, causa, apenas, uma maior dependência e perda financeira, ficando sujeito e subordinado as demandas do aplicativo.
Assim, cabe ao Ministério do Trabalho, órgão responsável por fiscalizar as leis trabalhistas, por meio da criação de leis, diminuir a flexibilização do trabalho, a fim de aumentar os direitos dos trabalhadores, dando maior qualidade aos emprega-dos. Esta noção de liberdade conceituada na uberização é, na prática,falsa, pois retira toda a liberdade do trabalhador, deixando-o subordinado a aplicativos