A "uberização" do trabalho na era tecnológica: precarização ou liberdade?
Enviada em 05/07/2022
“No meio do caminho tinha uma pedra / Tinha uma pedra no meio do caminho”. Versos do famoso poeta brasileiro Carlos Drummond de Andrade, os quais referem-se a uma metáfora relacionada a desafios. Fora das páginas literárias, atualmente, nota-se, que, há empencilhos no trabalho na era tecnológica, principalmente, na “uberização”, visto que precariza o labor no Brasil. Isso ocorre devido dois fatores primordiais: negligência estatal e a desigualdade social. Logo, torna-se imperiosa a análise dessa conjuntura.
Primariamente, é indubitável que a carência de ações de esferas governamentais a respeito da “uberização” precariza o trabalho. Segundo o filósofo alemão Hegel, o trabalho é a essência do homem. Dessa forma, ao inviabilizar emprego a aproximadamente 13 milhões de pessoas, de acordo com o Institudo Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), está corroborando para aceitação de qualquer meio empregatício desprovidos de direitos ou garantias. Assim, a afirmação de Rogério Dias, professor do UniCEUB, ao afirmar que a “uberização” é sinônimo de precarização no labor, é persistente.
Outrossim, percebe-se que a desigualdade social no país também contribui para a incidência da “uberização” de forma instável. Consoante ao pensamento do historiador brasileiro José Murilo de Carvalho, em seu livro “A Cidadania no Brasil: o longo caminho”, denota-se, que, a desigualdade social impede a construção de uma sociedade justa e igualitária. Dessa maneira, além de o indivíduo não ter um trabalho digno ao acata a “uberização”, por ser a única opção de trabalho, consequentemente, se torna servo desse meio. A título de exemplo, conforme dados do IBGE, o Brasil é o 9° país mais desigual do mundo. Diante disso, observa-se como esse problema persiste no território “verde-amarelo”.
Diante do exposto, mostra-se a urgência de sansões governamentais na problemática. Portanto, o Poder Público, conjunto de órgãos regulamentadores, deve regulamentar a CLT (Consolidação das Leis do Trabalho), por meio de novas medidas para o emprego em meios tecnológicos, com objetivo de que todos tenham direitos e garantias. Assim, gradativamente, as desigualdades e as pedras no caminho sejam removidas do cotidiano brasileiro.