A "uberização" do trabalho na era tecnológica: precarização ou liberdade?

Enviada em 05/07/2022

O fenômeno da uberização, termo relativo à empresa americana Uber - que presta serviços na área de transporte - faz alusão a uma nova era econômica em que há a conexão entre as recentes tecnologias e as novas relações de trabalho. Desse modo, pode-se perceber um recente aumento do número de indivíduos que se encontram em trabalho não formal, que apesar de ser mais flexível, quebra os vínculos empregatícios, tornando instável a manutenção do emprego. Por esse motivo, é essencial uma discussão acerca da precariedade da uberização e seus principais impactos no âmbito social, apontando também, formas de solucionar esse impasse.

Em primeira instância, cabe mencionar a dependência do esforço ativo. Nesse sentido, é de completa responsabilidade dos próprios trabalhadores realizarem a checagem da produção e qualidade dos serviços oferecidos, sem a presença de supervisores. Assim, há uma flexibilidade quanto aos horários produtivos e uma liberdade acerca da capacidade produtiva dos indivíduos, porém, não há a regulamentação dos direitos trabalhistas, o que pode causar danos à saúde dos trabalhadores, que se submetem à jornadas degradantes para alcançar um salário mínimo.

Concomitantemente, é possível relacionar tal processo à ausência de leis trabalhistas, como afirma o professor Rogério Dias “A pessoa que faz esse serviço não tem nenhum direito ou garantia. Ela está totalmente desamparado pela legislação." Desse modo, há a falta de garantias trabalhistas e legislação, ademais, não há um salário fixo e pode haver a falta de remuneração por hora extra.

Em síntese, é imprescindível reconhecer a importância de analisar a recente estruturação do trabalho para impedir a consequente precariedade da situação dos trabalhadores. Para que isso seja efetivado, é necessário o incentivo à firmação de contratos e vínculos formais com as empresas contratadoras a fim de impedir a possível exploração dos serviços. Ademais, é importante ressaltar que é dever dos trabalhadores que lidam com a uberização promover a própria subsistência econômica sem extrapolar as capacidades produtivas e físicas do trabalhador.