A "uberização" do trabalho na era tecnológica: precarização ou liberdade?
Enviada em 22/08/2023
No documentário, “A uberização do trabalho”, é revelado uma face cruel da tecnologia: a urgência por serviços. Esta se torna o algoz dos trabalhadores, sendo eles escravizados pelos aplicativos. Apesar de ter o conhecimento pretérito, a atualidade volta a escrever um passado que deveria ter ficado lá, mas em pleno século XXI é retomado o que Karl Marx já preconizava no século XIX: a exploração do trabalhador para se obter a “mais-valia” (lucro). Isso mostra novamente o descuido em não se observar as relações de poder do passado, como é visto nessa nova precarização do trabalho.
Em uma primeira análise, é importante frisar que sempre existiram interesses do capitalismo na exploração do trabalhador. Segundo o sociólogo Ricardo Antunes, a expansão do trabalho uberizado levará a sociedade a ter novamente uma forma de escravidão, na qual só se visa o aumento da “mais-valia” (lucro) em detrimento da valia (força de trabalho), porque diminui os direitos trabalhistas que gera mais lucro para o empresário, entretanto, gera insegurança sanitária e financeira aos contratados. Esse viés vexatório permanece pelo motivo de eles criarem entre os contratados uma espécie de “gamificacação do trabalho”, em que faz eles serem mais produtivos sem que eles percebam que estão sendo explorados.
Além disso, como é corroborada na ideia de produtividade do escritor coreano Byung Chul Han - a sociedade está prestes a colapsar, pois se vive em uma falsa ilusão de que quanto mais e em menor tempo fizer algo é melhor. Embora isso leve a um esgotamento físico e mental do trabalhador, esse sistema redundante se alimenta disso em prol do aumento do seu capital financeiro, enquanto o trabalhador sofre diversas doenças ocupacionais, em que o professor denuncia como: “ a vida tem que ser vivida de forma exaustiva”. Desse modo, é preciso ficar atento a essas formas impositivas de poder, pelos “coaches” motivacionais.
Em suma, o Ministério do Trabalho, junto como o Congresso Nacional, deve rever a legislação trabalhista para proteger esses uberizados de quaisquer debilidades sociais, como saúde e desemprego, por meio da responsabilização dos empresá-rios em fazer contratos formais com os cooperados, a fim de que estes tenham seguridade social, porque a escravidão só tem que ficar como foto do passado.