A "uberização" do trabalho na era tecnológica: precarização ou liberdade?
Enviada em 15/10/2024
Na obra “Cidadanias Multiladas”, a cidadania de certas pessoas é ameaçada pela desigualdade socioeconômica, fruto de um estado omisso em garantir os direitos básicos dos cidadãos. Na realidade brasileira, a crítica do autor pode ser verificada na questão da uberização do trabalho na era tecnológica, haja vista que esse cenário se faz cada dia mais presente na sociedade. Para isso, emerge um problema, devido à negligência governamental e da lógica capitalista sistêmica.
Sob esse viés, é válido destacar que a omissão governamental contribui para a temática. Desse modo, o filósofo Zygmunt Bauman, no conceito “Instituições Zumbis”, diz respeito ao fato de que algumas instituições, como o Estado, estão perdendo sua função social. De fato, a perspectiva do autor pode ser aplicada quanto à uberização do trabalho, visto que esse tópico se acentua na sociedade e fragiliza o corpo social, revelando a crescente precarização laboral e a diminuição do número de postos de trabalho com carteira assinada e, consequentemente, indo contra a Constituição Federal de 1988 que garante a integridade dos trabalhadores. Assim, essa falta de empatia do governo deve ser desmotivada.
Ademais, a questão está vinculada com a lógica capitalista sistêmica. Com isso, fundamenta-se o pensamento do sociólogo Karl Marx, em que a constante precariedade do trabalho é inerente ao capitalismo, em virtude da prioridade de acumulação lucrativa. Nessa perspectiva, a premissa sobredita se aplica ao contexto nacional, tendo em vista que o Poder Público privilegia o crescimento econômico acelerado sem o devido suporte dos instrumentos necessários para promover uma maior igualdade entre as pessoas, aprimorando os abismos sociais. Logo, é inadmissível que esse capitalismo enraizado continue a perdurar.
Portanto, medidas são necessárias para mitigar o quadro contemporâneo. Em razão disso, cabe ao governo federal, responsável pela harmonia social, promover ações concretas e efetivas para combater esse imbróglio em território brasileiro, por meio de campanhas em meio midiático, no intuito de alertar a população sobre as consequências que tais formas de trabalho podem trazer para alterar o bom funcionamento da sociedade, bem como maior eficiência das leis trabalhistas. Para, somente assim, proporcionar uma realidade distinta da que foi exposta na obra.